O mercado brasileiro apresenta uma dinâmica recente em que fatores locais e externos se cruzam: o conceito HALO trade — sigla para Heavy Assets, Low Obsolescence — ganhou espaço nas mesas de operações e ajuda a explicar parte do movimento de alta do Ibovespa.
Ao mesmo tempo, sinais políticos e fluxo de capitais estrangeiros afetam a trajetória do dólar comercial.
Em relatórios e coberturas de mercado de 25 e 26 de fevereiro de 2026, analistas destacaram que o índice acionário brasileiro, cujo desempenho acumulado nos últimos meses é notório, segue beneficiado por setores com exposição a ativos reais e longa duração. Paralelamente, a menor aversão ao risco no exterior e a pesquisa eleitoral mais recente influenciaram o comportamento da moeda americana no país.
O que é o HALO trade e por que importa
O HALO trade resume uma preferência por empresas com balanços baseados em ativos tangíveis e baixa obsolescência tecnológica — setores como energia, materiais, utilities e ativos regulados. Esses segmentos tendem a apresentar fluxos de caixa previsíveis e proteção contra mudanças rápidas de tecnologia, razão pela qual investidores estrangeiros têm reencontrado apetite por papéis brasileiros.
Característica dos setores favorecidos
Empresas com ativos reais costumam oferecer exposição a commodities e contratos de longo prazo, o que as torna mais resilientes em cenários de inflação e de aversão ao risco moderada. Analistas da Ajax Asset, por exemplo, apontaram em relatório matinal que o fluxo deve continuar positivo aos ativos domésticos justamente por essa combinação de fatores.
Movimento do câmbio: números e causas
Na manhã de 25 de fevereiro de 2026, o dólar comercial abriu em torno de R$ 5,12, com queda de 0,47% e cotação de R$ 5,1296 para venda por volta das 9h15 (horário de Brasília). Indicadores internacionais mostraram um Dollar Index em alta de 0,07%, a 97,92 pontos, enquanto contratos futuros para março recuavam 0,35%, negociados a R$ 5,144,000.
Fatores que pressionaram a moeda
A combinação de menor risco global, entradas de capital estrangeiro e a interpretação dos agentes sobre o desenrolar político local foi citada como responsável pelo recuo do dólar. Em mercados emergentes, movimentos eleitorais tendem a acelerar realocações de portfólio, e no caso brasileiro a pesquisa divulgada apontando empate técnico entre candidatos elevou o interesse dos investidores por ativos locais.
Pesquisa eleitoral e repercussão no mercado
Uma sondagem da AtlasIntel/bloomberg publicada entre 25 e 26 de fevereiro de 2026 mostrou pela primeira vez empate entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro em simulação de segundo turno: 46,2% para Lula e 46,3% para Flávio. O levantamento ressaltou a rápida redução da vantagem que Flávio teve no período anterior, provocando leituras distintas sobre a trajetória política e seu impacto econômico.
Movimentos eleitorais assim tendem a ser interpretados por gestores como variáveis de risco que mexem com prêmios exigidos pelos investidores. No cenário atual, a leitura predominante foi que, com a percepção de menor incerteza em setores tradicionais e maior apetite por ativos reais, houve maior inclinação por ações do índice — reforçando o efeito do HALO trade.
Contexto internacional e sinais de mercado
Além do fluxo e das pesquisas, sinais vindos de mercados internacionais também pesaram nas decisões locais. Relatórios e atualizações de mercados globais, como os preâmbulos diários da NYSE, mostraram atividade relevante — por exemplo, empresas de setores inovadores seguindo para listagens e eventos de mercado que mantêm a atenção de investidores institucionais.
Notícias sobre ofertas públicas, companhias listando em bolsas americanas e divulgações de resultados corporativos ajudam a formar o clima de risco global. Assim, a confluência entre um ambiente externo mais favorável e a preferência por ativos reais no Brasil reforça o momentum que sustentou o Ibovespa nas últimas semanas.
Em síntese, investidores e gestores observam um cenário em que o HALO trade, somado ao fluxo estrangeiro e a pesquisas eleitorais divulgadas em 25 e 26 de fevereiro de 2026, tem moldado tanto o desempenho das ações quanto a oscilação do câmbio. A leitura desses sinais continuará a orientar alocações nos próximos dias, à medida que novos dados econômicos e políticos forem divulgados.
