O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad afirmou em entrevista ao canal TV 247 que acredita ser viável disputar e alcançar a vitória no governo de São Paulo partindo de um patamar de 40% dos votos válidos. Para Haddad, esse percentual oferece uma base capaz de mobilizar esforços estratégicos e organizar uma campanha competitiva. Na mesma conversa, ele ressaltou a importância de estabelecer diálogo com o interior do estado, território que historicamente tende a privilegiar candidaturas da direita e que exige escuta atenta das demandas locais.
O posicionamento de Haddad surge em meio a menções a obstáculos do calendário e à dinâmica das campanhas. Identificado nacionalmente por sua trajetória como prefeito de São Paulo, ministro da Educação e, mais recentemente, como ministro da Fazenda (período: 1.º de janeiro de 2026 a 19 de março de 2026), ele tentou traçar um caminho que conjugue unidade partidária e foco em propostas. Haddad afirmou também ter ouvido rumores de que a atual gestão estadual não estaria disposta a promover debates nos moldes de 2026, e defendeu publicamente a realização de troca de ideias sobre políticas públicas como instrumento de transparência e confronto de projetos.
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Condições eleitorais e tom da disputa
Ao analisar a disputa, Haddad destacou que é prematuro revelar toda a tática de campanha, mas que trabalhará indicadores negativos do Estado para construir narrativa eleitoral. Entre os pontos citados como prioritários estão a qualidade da água, a situação do ensino público e a insatisfação nas corporações policiais. Ele ainda lembrou que pretende manter o nível do debate observado em 2026, preservando um embate político com conteúdo. Sobre ataques sofridos em pleitos anteriores, o ex-ministro afirmou que a campanha mais ofensiva que enfrentou não partiu diretamente do adversário principal, e que havia atores externos contribuindo para esse tom agressivo.
Estratégia e articulação política
Haddad disse que deverá se reunir na semana seguinte com articuladores para avaliar dados e definir rumos. No campo dos apoios, afirmou querer preservar — e, se possível, ampliar — o palanque que teve em 2026, mas admitiu que ainda é cedo para confirmar apoios ao Senado. A decisão, segundo ele, será construída de forma gradual: “essa escolha acontece aos poucos“, afirmou, acrescentando que as conversas tendem a ganhar velocidade depois do dia 4, quando o processo político tradicionalmente se intensifica.
Propostas em discussão
Renda básica e foco no desenvolvimento
Na agenda programática, Haddad reconheceu a existência de propostas como a renda básica, defendida por figuras como o deputado estadual Eduardo Suplicy, mas destacou sua preferência por concentrar esforços em um plano de desenvolvimento para o estado. Para ele, o desafio será transformar um conjunto de medidas sociais em um projeto que preserve direitos e, ao mesmo tempo, aperfeiçoe a qualidade das políticas públicas. Haddad disse que, ao pensar em apoiar a campanha de 2026, imaginava contribuir na coordenação do plano de governo e na formulação de uma agenda de crescimento com foco em qualidade.
Dialogar com o interior
Reconhecendo o peso eleitoral do interior, o ex-ministro ressaltou a necessidade de compreender demandas locais e adaptar o discurso sem abrir mão de princípios. O objetivo é construir pontes com eleitores que hoje se inclinam para candidaturas de direita, mostrando propostas concretas para saúde, educação e infraestrutura. Segundo Haddad, o interior tem “um valor enorme” no xadrez eleitoral e merece uma linguagem que traduza prioridades regionais em ações de governo, uma abordagem que exige escuta ativa, propostas específicas e uma presença política constante.
Em síntese, Haddad projeta uma campanha que combine bases sólidas de voto — a meta inicial de 40% — com diálogo ampliado, estratégia programática voltada ao desenvolvimento e construção gradual de apoios. A postura, nas palavras do próprio político, passa por manter um debate de conteúdo, enfrentar problemas estruturais do estado e articular uma plataforma que dialogue tanto com a capital quanto com as regiões interiores.

