A General Motors (GM) está intensificando sua aposta no mercado brasileiro com um investimento adicional de R$ 3,5 bilhões. Esse valor se soma aos R$ 7 bilhões já anunciados em 2026, elevando o total para R$ 10,5 bilhões até 2028. O anúncio foi feito em Brasília, durante um evento que contou com a presença do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin e executivos da companhia.
Os novos recursos serão direcionados principalmente para as operações no Estado de São Paulo com foco na renovação do portfólio da Chevrolet incorporação de novas tecnologias, modernização das fábricas e ampliação das capacidades de engenharia e manufatura. A empresa destaca que o investimento também contribuirá para a geração de empregos qualificados e para o fortalecimento da competitividade da indústria automotiva nacional.
Transformação tecnológica e modernização industrial
O presidente da General Motors América do SulThomas Owsianski afirmou que o setor automotivo está passando por uma transformação tecnológica significativa. O novo aporte permitirá ampliar a capacidade de desenvolvimento e produção de veículos no país, além de acelerar a adoção de novas tecnologias.
“Decisões de investimento dessa magnitude exigem visão de longo prazo e um ambiente que ofereça previsibilidade, segurança jurídica e condições adequadas para a produção local“, disse Owsianski. Ele destacou que o Brasil possui uma sólida base industrial capacidade de engenharia, mercado consumidor relevante e profissionais altamente qualificados, fatores essenciais para sustentar o desenvolvimento da indústria automotiva.
Proposta de incentivo à produção local
Além do investimento, a GM apresentou uma proposta ao vice-presidente Geraldo Alckmin para incentivar a produção local de veículos. A ideia é estabelecer benefícios tributários atrelados ao volume de automóveis produzidos no Brasil, semelhante ao modelo adotado no México.
Segundo o vice-presidente da GM América do Sul, Fabio Rua a proposta visa evitar disputas sobre cotas de importação no setor. “Procuramos estudar as referências internacionais. Nesse caso, o México é um exemplo, mas podemos aprimorar o modelo deles“, afirmou Rua. A GM sugere que, para cada 100 mil carros fabricados no país, a empresa tenha direito a uma cota de 10 mil carros com isenção tributária, que poderiam ser veículos elétricos ou híbridos.
A discussão sobre incentivos à produção local surge em um contexto de renovação de cotas de importação com alíquota zero para veículos eletrificados desmontados (CKD) e semidesmontados (SKD), beneficiando principalmente a chinesa BYD. A GM critica essa medida, argumentando que ela não estimula o desenvolvimento da indústria e da cadeia produtiva do setor automotivo.
Impacto na indústria automotiva brasileira
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) também criticou a renovação das cotas de importação, destacando os riscos aos investimentos das empresas do setor no país. A associação salientou que a medida contraria os interesses dos trabalhadores, das fabricantes nacionais de veículos e das empresas brasileiras de autopeças.
A BYD por sua vez, argumenta que as isenções ajudam a manter menores os preços dos carros elétricos, o que tem contribuído para o aumento de suas vendas no Brasil. A empresa anunciou recentemente a abertura de 1,6 mil vagas para um terceiro turno de produção em seu complexo de Camaçari (BA) tornando-se uma das maiores empregadoras do estado.
O investimento da GM e a proposta de incentivo à produção local refletem a importância estratégica do Brasil para a indústria automotiva global. Com um mercado consumidor relevante e uma base industrial sólida, o país está se posicionando como um polo produtor e exportador significativo para a América do Sul.


