A SPX Capital, gestora com cerca de R$ 54,7 bilhões sob administração, iniciou uma reestruturação ampla em seus fundos multimercados. O movimento combina mudanças de governança, buscas por sinergia operacional e ajustes na alocação de risco, em reação a um histórico recente de desempenho considerado abaixo do esperado por parte de investidores e gestores. Internamente, o processo tem foco em reduzir custos e ajustar o tamanho das operações, preservando especialização técnica, mas reforçando a coordenação entre as equipes.
Entre as alterações mais visíveis está a saída de um sócio relevante que atuava em Londres, o gestor Marcelo Castro, que anunciou a saída após seis anos na casa. Sua saída acelerou debates já em curso sobre centralização de decisões e a implementação de uma nova função de CIO. A mudança objetiva criar maior disciplina na distribuição de risco entre os books e reduzir a dispersão entre estratégias, ao mesmo tempo em que busca conter impactos de grandes drawdowns para os fundos agregados.
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Por que a reestruturação foi necessária
A decisão de rever a estrutura da gestora nasceu de uma combinação de fatores: um período de performance aquém do esperado, feedbacks de grandes alocadores e a percepção interna de falta de coordenação no nível do fundo. O modelo de múltiplas “caixinhas” preservava a especialização, mas deixou lacunas na gestão agregada de risco. A direção concluiu que era preciso uma figura com visão consolidada para alinhar limites de risco, sinergias operacionais e política de alocação em todo o portfólio, promovendo maior disciplina sem, na prática, eliminar a autonomia técnica dos gestores.
Mudanças operacionais e de liderança
Uma das escolhas centrais foi criar a função de CIO, destinada a reforçar o controle agregado dos fundos e a uniformizar critérios de alocação. O fundador Bruno Pandolfi foi indicado para liderar essa frente. A alternativa vencedora foi desenhar um papel de CIO que coordene riscos e direcione alocações, preservando a independência operacional dos books. A saída de Castro, que respondia por cerca de 15% do risco das estratégias multimercado, levou à liquidação de posições associadas ao seu book, com reavaliação em curso sobre como redistribuir esse risco entre as frentes remanescentes.
Reconfiguração das estratégias
Internamente, a gestora vem identificando quais estratégias justificam capital e quais devem ser encerradas ou ajustadas. Há indicação de que equities pode receber mais risco relativo, câmbio se manterá como frente relevante e rates deverá sofrer algum ajuste para baixo. O objetivo declarado é concentrar capital em livros com maior convicção e menor sobreposição, além de reduzir custos fixos associados a estruturas dispersas, tudo com uma governança que permita atuar de forma mais coordenada diante de choques de mercado.
Presença internacional sob revisão
O escritório em Londres foi outro foco da revisão: custos elevados, desafios tributários e menor necessidade operacional tornaram sua manutenção questionável. Castro era o principal sócio baseado na capital inglesa; com sua saída, a gestora avalia não renovar o contrato do escritório quando ele vencer no começo do próximo ano. A presença fora do Brasil não deve desaparecer, mas tende a ficar mais seletiva, com Singapura apontada como operação estratégica dada a relevância do time asiático e do mercado regional.
Consequências para investidores
Para alocadores e cotistas, a reestruturação pode significar dois efeitos práticos: maior disciplina de risco e uma carteira multimercado mais coordenada. Feedbacks de grandes investidores pediam alguém capaz de olhar o todo, reduzir exposição a eventos idiossincráticos e limitar grandes perdas concentradas. Ao mesmo tempo, cortes de custo e fechamento de estruturas externas visam melhorar a eficiência da gestora, reduzindo despesas que não contribuem diretamente para o desempenho dos fundos.
O processo segue em andamento, com decisões sobre redistribuição de risco e reavaliação de books. A missão interna atribuída a Pandolfi é revisar quais estratégias permanecem, fortalecer sinergias operacionais e implementar controles mais rígidos de governança e risk allocation. A SPX não comentou formalmente o processo em entrevistas, mas as mudanças mostram uma guinada em direção a uma gestão multimercado mais coordenada, focada em disciplina, eficiência e preservação de capital.

