A Executiva Estadual de São Paulo da Rede Sustentabilidade divulgou, nesta terça-feira, 21, posicionamento em que endossa a pré-candidatura da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva ao Senado e apoia a postulação do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad ao governo do estado. No comunicado, a instância estadual qualifica como “desastroso” o atual governo de Tarcísio de Freitas e destaca a urgência de restabelecer a capacidade do Estado para planejar e implementar políticas públicas.
No texto divulgado, a sigla eleva Marina Silva como uma referência ética e política de alcance nacional e internacional, enaltecendo sua trajetória pautada pela coerência e pela defesa intransigente da vida, da democracia e da sustentabilidade. Ao mesmo tempo, o documento apresenta a pré-candidatura de Haddad como integrante de um bloco que pretende reconstruir a capacidade pública do estado, combinando responsabilidade econômica e promoção da justiça social.
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Motivações do apoio
A nota da Executiva faz um balanço crítico do cenário estadual ao afirmar a necessidade de retomar a capacidade de planejamento, fortalecer políticas sociais, enfrentar desigualdades e preparar o território para os impactos das mudanças climáticas. Esses pontos são colocados como eixos centrais para justificar a união em torno de candidaturas que, segundo a direção paulista, podem reagir às falhas atribuídas ao governo estadual atual. O uso reiterado de termos como planejamento e fortalecimento de políticas sociais evidencia uma prioridade programática que serve de base para o endosso.
Tensões internas e cronologia dos acontecimentos
O posicionamento estadual da Rede chega em um momento de resistência e disputas internas na legenda. No início do mês, o diretório nacional publicou nota criticando a decisão de Marina de permanecer na legenda, em meio a rumores, durante a janela partidária, de que ela deixaria o partido. Em sequência, No dia 4 de abril Marina confirmou sua permanência na sigla que ajudou a fundar, agradeceu convites e diálogos com outras legendas e afirmou intenção de seguir no projeto político que a originou.
Reação da direção nacional
Em resposta à confirmação, a direção nacional comentou, No dia 8, que recebeu a decisão com “indignação e perplexidade”, acusando a ex-ministra de negar diálogo com instâncias partidárias. A cúpula chegou a mencionar que atitudes de parcela da liderança poderiam paralisar processos internos, judicializar disputas ou até tentar bloquear as contas do partido, atribuindo ao episódio características de conflito sobre a condução coletiva da legenda. Essas críticas alimentaram a percepção de divisão entre direção nacional e executiva estadual.
Resposta de Marina e desdobramentos
No dia seguinte à nota da direção, Marina rebateu as acusações, afirmando que havia divergências internas, mas que isso não equivalia a falta de diálogo ou desrespeito ao manifesto da Rede. Em entrevista à GloboNews, a ex-ministra declarou: “Não consigo imaginar que alguém possa propor me negar a legenda na Rede Sustentabilidade”, reafirmando sua vinculação ao partido e contestando interpretações sobre sua postura política. O episódio tornou mais visível a disputa por liderança interna, que também inclui litígios judiciais em torno da presidência do partido.
Impactos eleitorais e o campo da esquerda em São Paulo
Além do ambiente interno na Rede, o cenário eleitoral paulista segue fragmentado entre nomes da esquerda que buscam composição. A decisão da Executiva estadual de apoiar Haddad contempla acordos mais amplos, já que o ex-ministro também conta com suporte de outras siglas alinhadas ao campo progressista. Há disputa pelas vagas ao Senado: o arranjo político no estado envolve diferentes candidaturas e negociações sobre quem ocupará as duas cadeiras disponíveis na chapa majoritária.
Observações finais
O posicionamento da Rede em São Paulo reafirma alianças e expõe contradições internas que podem repercutir durante o processo de definição definitiva de chapas e coligações. Ao mesmo tempo em que celebra a figura de Marina Silva como símbolo de consistência ética, a sigla tenta apresentar uma resposta política ao que descreve como retrocessos na gestão estadual. O desfecho dessas disputas internas e das negociações com outras legendas influenciará a configuração da disputa em São Paulo nas próximas etapas do calendário eleitoral.

