A CVM, em conjunto com a Fenasbac, realiza um encontro presencial no Rio de Janeiro no próximo dia 7 de maio para discutir o futuro do mercado de capitais. O evento tem como eixo central a apresentação dos trabalhos do Laboratório de Experimentação, Aprendizado e Prototipagem (LEAP) e as implicações práticas de tecnologias como blockchain e DLT.
Nessa abertura, serão compartilhados resultados e lições aprendidas do ciclo anterior, com foco em soluções aplicáveis ao ecossistema regulatório e às necessidades dos investidores.
A programação combina apresentações, demonstrações e painéis que conectam reguladores, empresas e startups. Entre os destaques estão projetos finalistas que usam inteligência artificial e contratos inteligentes para automatizar processos do mercado de capitais. A iniciativa busca aproximar inovação e supervisão, estimulando produtos que protejam investidores e melhorem a transparência das operações corporativas. O encontro também prevê a publicação do primeiro relatório completo do LEAP no mesmo dia da conferência, reunindo métricas, casos de uso e recomendações.
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Foco tecnológico: tokenização e votação remota
Um dos temas centrais é a tokenização dos direitos de voto e do registro de ações em ambientes digitais. A proposta não é apenas técnica: trata-se de criar meios que tornem a participação dos acionistas minoritários mais simples e segura. A tokenização converte direitos tradicionais em tokens digitais, permitindo o uso de certificados de criptoativos como instrumentos de identificação e de exercício de voto à distância. Essas abordagens podem reduzir custos logísticos, aumentar a participação e oferecer trilhas auditáveis das decisões tomadas em assembleias.
Contratos inteligentes e auditoria descentralizada
Os projetos apresentados pelo LEAP incluem plataformas que combinam contratos inteligentes e estruturas descentralizadas para garantir integridade e imutabilidade nas votações. O uso de smart contracts permite que regras de quorum, apuração e publicação de resultados sejam executadas automaticamente, minimizando intervenção manual e possibilidade de fraude. Além disso, as soluções que utilizam DLT oferecem registros distribuídos que facilitam auditorias públicas e acessíveis, fortalecendo a confiança de todos os participantes nas assembleias corporativas.
Adoção prática: dispositivos móveis e realidade aumentada
Para ampliar o acesso, os desenvolvedores exploram alternativas como aplicativos móveis e recursos de realidade aumentada, que tornam interfaces mais intuitivas para investidores comuns. Esses instrumentos eliminam parte das barreiras associadas ao formato presencial — deslocamento, custos e tempo — e introduzem fluxos de interação mais amigáveis na tela do celular. A proposta é que pequenos acionistas possam acompanhar pautas e votar de forma segura, com autenticação por certificados digitais e mecanismos criptográficos que preservem a privacidade e a veracidade do processo.
Impacto regulatório e proteção ao investidor
No painel dedicado às normas, especialistas debaterão como as inovações tecnológicas alteram práticas regulatórias e quais adaptações são necessárias para proteger consumidores. A intenção é equilibrar estímulo à inovação com salvaguardas prudenciais, de modo que novos produtos estejam alinhados a regras de governança e compliance. Esse diálogo subsidia a criação de frameworks regulatórios que possam ser aplicados em situações reais no mercado de capitais, sempre com foco na defesa do investidor.
Logística do evento e acesso ao público
O acesso ao prédio da autarquia no centro do Rio de Janeiro será restrito e sujeito a avaliação prévia da curadoria. A prioridade de entrada será dada a servidores do estado, lideranças corporativas e a startups cujas propostas tenham aplicabilidade para o mercado financeiro. A iniciativa visa concentrar diálogo entre reguladores e propositores de soluções, garantindo que as demonstrações tenham audiência qualificada e possibilitem experimentos controlados. O encontro também abre espaço para networking e para a apresentação de soluções em DLT procuradas pela CVM e pela Fenasbac em 2026.
Ao final do dia, a publicação do relatório do LEAP reunirá os encaminhamentos e indicadores de sucesso, disponibilizando dados abertos que ajudam a compreender demandas das empresas listadas. A conferência, portanto, funciona como vitrine e laboratório: promove a adoção de inovações, captura evidências empiricamente e orienta próximos passos regulatórios. Para participantes e observadores, é uma oportunidade de testemunhar como a tecnologia pode remodelar práticas históricas no mercado de capitais.
