Quem foi condenado: Oleksandr Didenko, 29 anos, cidadão ucraniano. O crime: participação em um esquema sofisticado de fraude eletrônica e roubo de identidade. Onde e quando: audiência na quinta-feira (19) nos Estados Unidos, quando o tribunal anunciou a sentença e as medidas financeiras.
A decisão do juiz Randolph D. Moss fixou a pena em 60 meses de prisão, determinou o confisco de ativos que somam cerca de US$ 1,4 milhão e impôs reparações no valor de US$ 46 mil. Entre os bens apreendidos havia também criptomoedas rastreadas pela investigação.
O esquema em poucas palavras A denúncia descreve uma plataforma online chamada Upworksell.com, apresentada como um mercado clandestino de perfis falsos. Nesses perfis, profissionais de tecnologia estrangeiros compravam ou alugavam identidades forjadas. Com essas capas falsas, cidadãos da Coreia do Norte teriam conseguido empregos em empresas e plataformas remotas sediadas na Califórnia e na Pensilvânia.
Como a operação funcionava A fraude misturava tecnologia e logística física para encobrir a verdadeira origem dos acessos. Didenko teria organizado residências em estados como Virgínia, Tennessee e Califórnia para abrigar equipamentos — as chamadas “fazendas de laptops” — que ocultavam a localização geográfica e burlavam sistemas de verificação de identidade. Em seu auge, a operação chegou a gerir até 871 identidades de fachada e instalou pelo menos três centros de equipamentos nos Estados Unidos.
Movimentação financeira e métodos de lavagem Para driblar controles bancários, o grupo usou redes alternativas de transferência de dinheiro e evitou instituições financeiras americanas. Salários foram enviados para contas no exterior e, em alguns casos, registrados falsamente em nome de terceiros junto a órgãos governamentais dos EUA. Nos autos, consta que os envolvidos receberam centenas de milhares de dólares.
Riscos para a segurança nacional Autoridades federais classificaram a fraude como uma ameaça à segurança nacional. A procuradora Jeanine Ferris Pirro afirmou que os recursos pagos aos falsos funcionários teriam sido desviados para financiar programas militares da Coreia do Norte, inclusive munições nucleares. O FBI passou a alertar empresas que contratam equipes remotas, ressaltando que operações desse tipo podem abrir caminho para o roubo de propriedade intelectual e de dados sensíveis.
Reação das agências Roman Rozhavsky, diretor assistente de contraespionagem, disse que a agência pretende responsabilizar quem contribui para fraudar a economia americana. Já James Barnacle, do FBI em Nova York, chamou o esquema de um “backdoor” no mercado de trabalho — uma brecha que permite infiltração e exploração em larga escala.
Investigação e ações legais De acordo com os documentos, a apuração começou em maio de, quando o Departamento de Justiça apreendeu o domínio do site e passou a redirecionar seu tráfego para servidores do FBI, desmantelando a fachada digital da rede.
Sentença e penas aplicadas No julgamento, o juiz Randolph D. Moss manteve a pena de cinco anos de prisão, o confisco de aproximadamente US$ 1,4 milhão em ativos — incluindo criptomoedas identificadas durante a investigação — e a obrigação de pagar US$ 46 mil em reparações. Essas medidas visam tanto punir os responsáveis quanto recuperar parte dos recursos desviados pela rede.
