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Desafio e solução: gerar empregos para a nova geração nos mercados emergentes

As economias de mercados emergentes e em desenvolvimento enfrentam um dilema demográfico: a previsão de cerca de 1,2 bilhão de jovens que entrarão na força de trabalho em um período de dez anos exige respostas rápidas e coordenadas. Sem ações robustas, a estimativa de apenas 400 milhões de vagas disponíveis pode se traduzir em desemprego estrutural, aumento da pobreza e instabilidade social.

Este texto examina como uma combinação de políticas públicas e incentivos privados pode virar esse cenário.

Ao longo do artigo apresentamos um conjunto de propostas organizadas em três blocos — infraestrutura, ambiente favorável aos negócios e mobilização de capital privado — e mostramos setores com maior potencial de absorção de mão de obra, além de lições extraídas de experiências bem-sucedidas. O objetivo é oferecer um roteiro prático para governos, investidores e organizações multilaterais.

Por que o problema é urgente e qual é a dimensão regional

A expansão da população jovem concentra-se em regiões específicas: a África Subsaariana, o Sul da Ásia, o Leste Asiático e Pacífico, o Oriente Médio e Norte da África e a América Latina e Caribe. Essas regiões também apresentam, em média, menores recursos fiscais e maiores níveis de dívida, o que limita a ação pública. Além disso, cerca de 270 milhões desses jovens podem viver em locais afetados por fragilidade ou conflito, exigindo políticas que articulem segurança, inclusão e emprego.

Os três pilares da estratégia

1. Infraestrutura fundamental

Investir em capital físico, capital humano e redes digitais cria plataformas para o crescimento do setor privado. A melhoria de transporte, energia confiável, conectividade e serviços de saúde e educação reduz custos de operação e amplia oportunidades. Em particular, programas de aprendizagem ao longo da vida e capacitação técnica conectam jovens às vagas disponíveis e aumentam a produtividade das empresas.

2. Ambiente favorável aos negócios

Empregos em escala surgem com instituições eficazes: regulação clara, judiciário independente e políticas macroeconômicas previsíveis. Reformas que facilitem a entrada de novas empresas, promovam a concorrência e melhorem o uso da terra ajudam a direcionar investimentos para atividades com maior criação de empregos. Adicionalmente, legislações que aumentem a flexibilidade para contratar e treinar trabalhadores reduzem fricções no ajuste do mercado de trabalho.

3. Mobilização do capital privado

Mercados financeiros mais profundos e acessíveis permitem que empresas cresçam e gerem vagas. A expansão de mercados de dívida e mercados acionários em moeda local, mecanismos de garantia parcial de crédito e a aplicação efetiva de contratos reduzem o custo do capital e atraem investidores institucionais. Combinar recursos públicos com capital privado por meio de instrumentos inovadores pode multiplicar o impacto dos investimentos.

Setores com maior potencial para gerar empregos

Alguns setores oferecem maior capacidade de absorção de mão de obra e resiliência: infraestrutura e energia, agronegócio, saúde, turismo e manufatura de maior valor agregado. O agronegócio, por exemplo, emprega grande parte da força de trabalho em regiões rurais e pode integrar cadeias de valor que agregam valor localmente. Projetos de energia alinhados a parcerias público-privadas também podem desbloquear crescimento industrial e criar emprego direto e indireto.

Desafios e aprendizados de experiências passadas

O espaço fiscal reduzido, o crescimento potencial mais lento e a fragmentação das cadeias comerciais complicam a agenda. Entretanto, episódios históricos mostraram que reformas bem desenhadas aceleram a geração de emprego e o crescimento da produção. Em casos de sucesso, o investimento privado aumentou significativamente, a produtividade subiu e os ganhos foram cumulativos entre capital, produção e eficiência.

Portanto, embora a demografia seja uma força de longo prazo, ela não determina um destino inevitável. Com estratégias integradas que combinem política pública, regulação eficaz e financiamento adequado, é possível transformar a chegada massiva de jovens ao mercado de trabalho em um motor de prosperidade compartilhada e estabilidade social.

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