Em 2026, o debate sobre criptomoedas voltou a ganhar espaço com vozes influentes que adotam posições contrastantes. De um lado, Peter Schiff tem reforçado sua defesa de ouro e prata, criticando a estratégia de “comprar na baixa” aplicada por investidores em bitcoin.
Do outro, o pesquisador Nick Szabo, reconhecido por ideias que antecederam o Bitcoin, alertou para riscos jurídicos e esclareceu o conceito de trust-minimized ao falar sobre a natureza das criptomoedas. Esses posicionamentos influenciam investidores, reguladores e profissionais do setor, e vale entender o que está em jogo.
As posições públicas também entram no terreno prático: empresas e fundos que adotam o bitcoin como reserva de valor continuam a movimentar grandes volumes, o que afeta percepções de risco e o comportamento do mercado. A discussão engloba argumentos econômicos, técnicos e legais, todos capazes de alterar estratégias de tesouraria corporativa e decisões individuais de investimento.
Críticas de Peter Schiff: ouro, prata e a reprovação da tática de “averaging down”
Peter Schiff tem usado suas plataformas para comparar o desempenho relativo entre metais preciosos e criptomoedas. Em seus comentários, ele afirma que o rally em ouro e prata é legítimo e acontece com correções normais, enquanto classifica o ciclo do bitcoin como uma bolha que já sofreu quedas substanciais. Schiff também apontou para decisões de investidores institucionais como ponto de atenção: citou que a média de preço de compra da MicroStrategy estaria acima de 76.000 dólares por bitcoin, sugerindo que acumular mais durante quedas pode ampliar perdas se o ativo continuar sem recuperação.
Impacto da mídia e da narrativa
Um dos argumentos centrais de Schiff é que a mídia contribui para manter o apelo do bitcoin, promovendo a ideia de que toda baixa é oportunidade de compra imediata. Para ele, esse empurrão midiático afasta recursos dos metais e facilita compras a preços mais baixos para clientes interessados em ouro e prata. Essa leitura une análise de sentimento com estratégia de portfólio: sem desmerecer completamente a tecnologia, Schiff prefere ativos tangíveis e historicamente aceitos como reserva de valor.
Nick Szabo: inspiração libertária e alerta técnico-jurídico
Nick Szabo, um dos pensadores mais referenciados quando se fala em antecedentes do Bitcoin, reconhece influência do anarcocapitalismo sobre suas ideias, mas também faz advertências técnicas e legais. Szabo rejeita a noção de que as criptomoedas operam em um vácuo legal; em vez disso, ele propõe o termo trust-minimized para descrever sistemas que reduzem, mas não eliminam, a necessidade de confiança. Essa diferenciação é importante para gestores, desenvolvedores e advogados que lidam com aplicações na cadeia.
Superfície de ataque jurídico
Szabo introduz a noção de superfície de ataque jurídico para explicar por onde tribunais e governos podem tentar interferir nas operações de uma blockchain. Ele considera a camada base do Bitcoin relativamente resistente a interferências, mas alerta para riscos adicionais quando dados arbitrários são inseridos na cadeia: esse tipo de uso amplia a superfície de ataque e traz complexidade jurídica que a indústria pode não estar preparada para enfrentar. Essa observação abre espaço para a atuação de advogados especializados em cripto, além de mudanças nos padrões de design de aplicações on-chain.
Consequências práticas para investidores e empresas
Na prática, as críticas de Schiff e os alertas de Szabo convergem em implicações concretas. Empresas que acumulam bitcoin como tesouraria, como a citada MicroStrategy, expõem-se a volatilidade que pode afetar valor patrimonial e sentimento do mercado. Movimentos recentes de compra em larga escala — por exemplo, aquisições de milhares de unidades que elevam participações a percentuais relevantes do suprimento total — geram debates sobre concentração e risco sistêmico. Ao mesmo tempo, questões legais levantadas por Szabo exigem atenção sobre quais dados são colocados em blockchains e como isso pode atrair ações regulatórias.
Para investidores, a mensagem é clara: estratégias de alocação devem considerar tanto a narrativa midiática quanto vulnerabilidades técnicas e jurídicas. Para desenvolvedores e conselheiros legais, há uma chamada para criar soluções que reduzam a exposição a riscos previsíveis e para preparar respostas jurídicas robustas. No fim, o mercado segue dinâmico e qualquer decisão deve ser apoiada por análise técnica e due diligence.
