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Convocação de Martha Graeff para a CPMI do INSS reacende investigação sobre patrimônio de Vorcaro

Martha Graeff, modelo e influenciadora, foi oficialmente convocada para prestar depoimento à CPMI do INSS na segunda-feira, 23 de março. A convocação decorre de apurações que envolvem transferências de ativos atribuídas a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e que, segundo apurações jornalísticas, podem totalizar mais de US$ 100 milhões (mais de R$ 520 milhões). A presença dela na comissão do Congresso ocorre em meio a mensagens apreendidas pela Polícia Federal e a investigações sobre possíveis mecanismos de ocultação de patrimônio, entre os quais a constituição de um trust nos Estados Unidos.

Os diálogos recuperados do aparelho de Vorcaro citam encontros com autoridades como Hugo Motta, Ciro Nogueira e Alexandre de Moraes, o que ampliou o interesse público sobre o caso. A defesa de Martha Graeff, representada pelo advogado Lúcio de Constantino, afirma que o vazamento das conversas é ilegal e que a cliente não possui bens provenientes do relacionamento. Enquanto a investigação avança, a notícia da audiência reacende questões sobre responsabilização civil e criminal, bem como sobre a recuperação de ativos eventualmente vinculados à massa falida do banco.

Transferências, propriedades e estrutura fiduciária

Documentos e trechos de conversas apontam para a criação de um trust nos Estados Unidos em nome de Martha Graeff, com pedido de dados pessoais em dezembro de 2026 para formalizar a estrutura. O principal bem mencionado é uma mansão em Bay Point, Miami, adquirida por US$ 86,5 milhões em outubro de 2026, que, segundo mensagens, seria administrada como um ativo do trust. Trust aqui refere-se a uma estrutura jurídica usada com frequência para proteção patrimonial e planejamento sucessório, mas que também pode ser empregada para dificultar o rastreamento de recursos.

Além do imóvel, as conversas relatam investimentos da ordem de US$ 10 milhões na empresa Happy Aging, presentes de alto valor (joias, relógios como um Audemars Piguet e um Richard Mille), automóveis de luxo e cartões com limite liberado. O casal chegou a locar um apartamento no Four Seasons Surfside por dois anos, com aluguel elevado, e a direcionar despesas por meio de empresas no exterior, como a Oceanview Ltda</strong., registrada nas Bahamas, para otimizar encargos tributários.

Investigação, apreensões e o papel do liquidante

Mensagens, apreensões e diligências

A Polícia Federal integrou as mensagens do celular apreendido de Vorcaro ao inquérito, que chamaram atenção por sinais de interlocuções com agentes públicos. Paralelamente, o liquidante judicial do Banco Master informou às autoridades americanas sobre aquisições no exterior, incluindo obras de arte — entre elas um Picasso — e tentativas de negociação pouco antes da intervenção e da liquidação determinada pelo Banco Central. Essas informações serviram para fundamentar pedidos de cooperação e investigações sobre possível ocultação patrimonial.

Consequências legais e precedentes

Especialistas em fraudes e recuperação de ativos alertam que, caso seja comprovado que os bens transferidos derivaram de desvio de recursos, eles estão sujeitos a bloqueio, apreensão e alienação judicial em benefício da massa falida do banco e dos credores. O caso do Banco Santos é frequentemente citado como precedente: obras e coleções foram repatriadas e leiloadas para ressarcir lesados. Segundo especialistas, apenas a aquisição por terceiros de boa-fé poderia preservar a titularidade do bem, ainda que os valores oriundos da venda sejam destinados à recomposição do prejuízo.

Defesa, privacidade e comparecimento à comissão

A defesa de Martha Graeff divulgou nota negando que a influenciadora possua imóveis, veículos ou depósitos vinculados ao relacionamento com Vorcaro, afirmando que ela reside nos Estados Unidos há quase 20 anos e declara seu patrimônio integralmente em seu tax return (equivalente ao Imposto de Renda no Brasil). A nota reiterou a acusação de exposição ilegal de conversas privadas e colocou a cliente “à inteira disposição das autoridades brasileiras” para esclarecimentos, incluindo o depoimento marcado para a CPMI do INSS.

O comparecimento à comissão parlamentar deve servir para esclarecer pontos sobre a titularidade dos bens, a natureza das transferências e os eventuais riscos de diluição de ativos que poderiam ser usados para indenizar credores. Enquanto isso, o processo de verificação documental e judicial prossegue, com autoridades brasileiras e estrangeiras trocando informações para mapear fluxos financeiros e responsabilizações possíveis.

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