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Conflito no Irã pressiona preços do petróleo e pode levar Brent a US$ 200, dizem analistas

O mercado mundial de energia vive um momento de forte tensão com impactos que já se refletem nos preços. Em cenário descrito pela Macquarie Group, o petróleo Brent poderia atingir US$ 200 por barril se a guerra envolvendo EUA, Israel e o Irã se estender até junho, especialmente se o Estreito de Ormuz permanecer fechado. Alternativamente, os analistas atribuem probabilidades distintas a desfechos mais rápidos, que devolveriam liquidez ao mercado e fariam os contratos recuarem.

Os últimos movimentos de preço mostram essa sensibilidade: contratos fecharam recentemente com o Brent em torno de US$ 112,57 por barril e o WTI próximo de US$ 99,64, níveis que não eram observados desde 2026. Desde 27 de fevereiro, o Brent acumulou alta de cerca de 53% e o WTI cerca de 45%, reflexo direto da interrupção logística e das expectativas sobre a duração do conflito.

Por que o Estreito de Ormuz é tão decisivo

O Estreito de Ormuz é uma artéria crítica para o comércio de petróleo: antes da crise, passavam por ali aproximadamente 15 milhões de barris de óleo cru e 5 milhões de barris de derivados por dia, além de representar cerca de 20% do tráfego diário global de petróleo. Um bloqueio prolongado reduz abruptamente a oferta disponível no mercado físico e força os preços a incorporar um elevado prêmio de risco. Segundo analistas, a magnitude dessa interrupção pressionaria a cotação a patamares que visem destruir demanda — ou seja, elevar o preço até que parte do consumo se torne inviável.

Cenários de preços e probabilidades

A Macquarie apresenta dois cenários principais: um com cerca de 40% de chance em que o conflito se prolonga e o Brent atinge até US$ 200, e outro mais provável, segundo o banco, com retorno das negociações e redução dos preços. O Morgan Stanley fornece uma projeção alternativa, estimando o Brent entre US$ 150 e US$ 180 no pior caso. Essas faixas pressupõem, em graus variados, uma forte retração do consumo global e cortes de oferta contínuos.

Impacto no balanço oferta-demanda

Antes dos confrontos, o mercado caminhava para um surplus por causa do aumento da oferta da OPEP+ e de produtores secundários como Brasil, Canadá, Argentina e Guiana. Com a guerra, o fluxo do Golfo Pérsico caiu drasticamente, criando déficits estimados entre 4 e 5 milhões de barris por dia em alguns cenários. A IEA chegou a afirmar que a crise é mais severa do que choques do passado, e a retirada de cerca de 11 milhões de barris por dia da oferta global intensifica a necessidade de respostas como liberações de estoques estratégicos.

Fatores geopolíticos e resposta de mercados

Além do bloqueio, ataques a plataformas e terminais energéticos elevam o risco de danos permanentes à infraestrutura, o que prolongaria o aperto. Declarações de lideranças, como a pausa temporária nos ataques anunciada por Donald Trump até 6 de abril, e propostas transmitidas por terceiros, têm influência direta na volatilidade. Autoridades iranianas já qualificaram propostas americanas como “unilaterais e injustas”, aumentando a incerteza sobre uma solução negociada.

Reações do mercado financeiro

Operadores e investidores olham para a duração do conflito mais do que para manchetes pontuais. Enquanto alguns relatórios sugerem recuos rápidos de preços caso haja desescalada, outros destacam que qualquer fechamento prolongado mantêm um prêmio significativo nos contratos futuros. O comportamento dos preços também reflete ações táticas, como uso de estoques de reserva por países asiáticos e potenciais ajustes de demanda por políticas públicas.

Em síntese, a trajetória dos preços nas próximas semanas dependerá de três fatores interligados: a duração do bloqueio do Estreito de Ormuz, o nível de danos à infraestrutura energética e a capacidade de respostas institucionais para liberar oferta ou conter demanda. Enquanto o mercado não perceber sinais claros de resolução, o risco de altas abruptas permanecerá como elemento central na formação dos preços do petróleo.

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