A corretora Charles Schwab, com US$ 11,9 trilhões em ativos sob gestão, publicou nesta segunda-feira (6) um estudo dedicado a avaliar quanto cada investidor poderia alocar em Bitcoin e Ethereum sem comprometer seu perfil de risco. O relatório não dá uma resposta única: em vez disso, apresenta duas abordagens distintas para construir uma posição em cripto — uma baseada em retorno esperado e outra centrada no orçamento de risco.
Em ambos os métodos, a conclusão é clara: devido à volatilidade histórica, mesmo percentuais pequenos podem ter efeitos relevantes na carteira.
O documento também lembra que a Schwab já oferece acesso a criptomoedas via ETFs, futuros ou por exposição indireta em ações do setor, e que há previsão de lançar a conta Schwab Crypto neste ano para negociação spot de Bitcoin e Ethereum. Antes de qualquer decisão, a corretora reforça que a escolha depende do apetite individual por volatilidade e pela possibilidade de grandes perdas em ciclos adversos.
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Dois caminhos para decidir a alocação
O primeiro método que a Schwab apresenta olha para estimativas de retorno anual, volatilidade e correlações. A ideia é mapear quanto do portfólio você alocaria dado um palpite sobre a valorização anual das criptomoedas. Por exemplo, se um investidor conservador assume um ganho esperado de 10% ao ano para o Bitcoin, o modelo sugere 0% de exposição; elevando a expectativa para 15%, a alocação cresce para cerca de 1%; e com uma hipótese de 25%, a parcela sobe para aproximadamente 3,1%. Para perfis moderado e agressivo, essas porcentagens aumentam proporcionalmente — alcançando até 16,9% e 22,4% nos cenários mais otimistas. A pesquisa destaca que as alocações para Ethereum seriam menores em todos os cenários analisados.
Limitações da abordagem por retorno
Esse método depende fortemente de suposições sobre futuro desempenho, que variam muito entre investidores e especialistas. A Schwab adverte que divergências sobre expectativas de retorno tornam essa técnica sensível a erros de julgamento; além disso, as grandes oscilações históricas tornam a previsão de rentabilidade particularmente incerta. Por isso, muitos profissionais preferem complementar ou substituir essa lógica por uma visão de risco explícito, em vez de confiar apenas em estimativas de valorização.
Orçamento de risco e o efeito desproporcional das criptos
O segundo caminho defendido no relatório é definir um risk budget — isto é, quanto risco total da carteira você está disposto a atribuir às criptomoedas. Nesse enquadramento a Schwab mostra que uma exposição muito pequena pode representar uma fatia grande do risco agregado. Por exemplo, uma alocação de apenas 1,2% em Bitcoin elevaria o risco de uma carteira conservadora para cerca de 10%. Para manter esse mesmo nível de risco, um portfólio agressivo poderia aceitar até aproximadamente 4% em cripto. Mesmo em perfis arrojados, a exposição máxima sugerida pelo estudo fica em torno de 5,6% em seus cenários analisados.
Por que um percentual reduzido pesa tanto?
A explicação técnica é direta: a contribuição ao risco de um ativo não depende apenas do seu peso percentual, mas também da sua própria volatilidade. Como Bitcoin e Ethereum historicamente exibem oscilações elevadas e quedas profundas — com drawdowns que já superaram 70% em ciclos passados — até pequenas participações tornam-se significativas nas métricas de risco do conjunto.
Contexto histórico e implicações práticas
O relatório recorda números históricos do mercado: o Bitcoin chegou a registrar variações anuais extremas como altas de 5.429% (2013), 1.336% (2017) e 304% (2026), e quedas relevantes como -73,4% (2018), -64,2% (2026) e -56,1% (2014). A Schwab cita também uma taxa de crescimento anual composta referência de 86%, lembrando que esse número é influenciado pelas fases iniciais do ativo e dificilmente será reproduzido de forma linear no futuro, especialmente agora que o mercado já atinge cerca de US$ 1,4 trilhão.
Na prática, a mensagem central do estudo é educacional, não prescritiva: não há uma alocação certa para todos. Investidores que consideram incluir criptomoedas devem decidir com base na tolerância a perdas, na capacidade de manter a estratégia em momentos de estresse e na compreensão dos riscos adicionais — custódia, liquidez e fraudes. Para quem prefere uma regra objetiva, a alternativa do orçamento de risco tende a ser mais robusta do que olhar apenas para percentuais nominais.
Em suma, a análise da Charles Schwab reforça que pequenas fatias de Bitcoin ou Ethereum podem provocar mudanças importantes no perfil de risco de um portfólio. Cabe ao investidor escolher o método de alocação que melhor reflita sua tolerância e disciplina, considerando também as opções de acesso — ETFs, futuros, posições indiretas em ações do setor ou a futura conta Schwab Crypto neste ano.
