O mercado de stablecoins vem exibindo números impressionantes, mas nem sempre esses dados representam atividade entre usuários finais. Segundo o relatório da Crystal Foresight da quinta-feira (9), do total bruto de R$ 10 trilhões movimentados na semana analisada, apenas R$ 2 trilhões correspondem a envios reais para pessoas físicas.
Essa discrepância revela que grande parte do volume bruto está associada a operações internas de protocolos, contratos inteligentes e provisão de liquidez, em vez de compras, pagamentos ou transferências no cotidiano do público.
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Leitura dos números: o que está por trás do volume
Quando se examinam as assinaturas por trás das cifras, fica claro que alguns projetos reportam cifras elevadas sem que isso signifique uso prático. A USDC, por exemplo, registrou R$ 9 trilhões em volume bruto, mas menos de 6% desse total configurou uso limpo por pessoas físicas. Em contraste, a USDT apresentou uma fração maior de repasses que efetivamente chegaram a indivíduos fora do ecossistema de protocolos. Esses padrões sugerem que o mercado tende a confundir medidas de atividade técnica com adoção real, criando uma imagem inflada da presença das stablecoins na economia diária.
USDC, USDT e a ilusão das métricas
A comparação entre USDC e USDT ilustra duas dinâmicas distintas: por um lado, grandes fluxos que circulam em contratos e pools; por outro, transferências que alcançam consumidores e pequenos investidores. O relatório destaca que corporações e plataformas podem inflar números ao movimentar ativos entre carteiras e contratos próprios, o que aumenta o volume bruto sem aumentar o uso orgânico. Essa prática torna arriscado avaliar saúde e penetração do mercado apenas por cifras agregadas, exigindo métricas que diferenciem origem e destino das transações.
Oferta, liquidações e mudanças na participação
A dinâmica de oferta também chama atenção: dez stablecoins sofreram oscilações significativas em sua participação orgânica. O token RLUSD sofreu queda acentuada, e o PYUSD perdeu espaço no uso prático por investidores comuns. Em outro extremo, o modelo USDS ampliou sua oferta em R$ 2 bilhões, mas manteve uma parcela reduzida de envios efetivos para pessoas físicas — a maior parte do fluxo foi direcionada a contratos que geram juros ou alimentam estratégias de rendimento em plataformas descentralizadas.
Casos médios e trajetórias distintas
No segmento médio, algumas stablecoins mostraram sinais de utilidade genuína: o EURE registrou crescimento tanto no volume bruto quanto na proporção de transferências ponta a ponta, sugerindo adoção mais direta. Já o DAI segue em trajetória de saída de capital, com usuários migrando para contratos mais recentes em busca de melhores retornos. Esses movimentos ilustram que, dentro do ecossistema, há vencedores e perdedores baseados em incentivos financeiros mais do que em uso como meio de pagamento.
Consequências para investidores, reguladores e mensuração
A inflação artificial do volume afeta decisões de investidores e a leitura de reguladores. Quando órgãos públicos e analistas usam o volume bruto como proxy de adoção, eles podem superestimar a presença das stablecoins na vida das pessoas, confundindo movimentações de fundos por grandes players com pagamentos de varejo. Para investidores, confiar em métricas sem distinguir atividade protocolar de transferências entre indivíduos pode levar a decisões equivocadas, especialmente quando estratégias de rendimento em contratos amplificam fluxos sem criar utilidade real.
O relatório conclui que o cenário exige uma revisão das formas de medir sucesso: métricas de sucesso devem privilegiar o uso orgânico e a chegada dos ativos às mãos de usuários finais, mais do que o mero crescimento de oferta ou volume técnico. Somado a isso, a pesquisa lembra que a transição para maior utilidade no dia a dia passa por superar dependências de infraestruturas centralizadas e por desenvolver soluções que facilitem pagamentos correntes. Para quem busca testar plataformas, há até ofertas promocionais como um bônus de R$ 100 em corretoras como a Bybit, mas a recomendação central é avaliar a qualidade do fluxo, não apenas sua escala numérica.
