Nos últimos meses, a adoção de stablecoins ganhou destaque entre plataformas de comércio e provedores de pagamentos. Segundo Fabio Plein, diretor da Coinbase para as Américas, integrações com redes como a Base e o uso do USDC têm reduzido atritos típicos do sistema financeiro tradicional.
A proposta central é simples: transformar a movimentação de valor para algo tão rotineiro e imediato quanto enviar uma mensagem, aproveitando a economia onchain — um modelo no qual ativos e pagamentos existem nativamente em redes digitais.
Para entender esse movimento, Plein destaca dois tipos de impacto: operacional e regulatório. Do ponto de vista operacional, comerciantes e PMEs ganham velocidade e previsibilidade; do ponto de vista regulatório, legislação como o GENIUS Act nos EUA cria um ambiente mais claro para stablecoins. Esses elementos juntos aceleram a confiança institucional e criam condições para que capitais antes alocados em contas bancárias tradicionais migrem para protocolos onchain.
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Redução de atritos nas vendas internacionais
Integrações entre grandes plataformas, como a integração do USDC em soluções de e‑commerce, mostram como as vendas internacionais podem se tornar menos custosas. Na prática, comerciantes deixam de enfrentar spreads de câmbio elevados, tarifas de múltiplos intermediários e prazos de liquidação que podem se estender por dias. A solução apresentada pela Coinbase é a liquidação quase instantânea através da Base, disponível 24/7, o que elimina espera por compensações bancárias e reduz custos para quem vende globalmente.
Liquidação imediata e experiência do lojista
Quando um cliente paga com USDC, o valor é enviado em segundos ao vendedor, sem necessidade de correspondentes bancários. Isso melhora o fluxo de caixa de pequenas e médias empresas e simplifica a integração com plataformas de gestão. A proposta também reduz risco de variação cambial no período entre venda e liquidação, ao passo que permite ao comerciante decidir se mantém saldo em stablecoins, converte para moeda local ou utiliza instrumentos onchain para investimento.
Adoção por PMEs e efeito nas remessas
O volume processado pelo serviço Coinbase Business — centenas de milhões em operações onchain em trimestres recentes — evidencia interesse de empresas menores. Plein enfatiza que empresários buscam eficiência: pagamentos instantâneos, custos operacionais mais baixos e acesso a ferramentas programáveis para gerir o caixa. A mudança reduz a dependência de horários bancários e de processos manuais, permitindo que o capital circule de forma mais ágil e com menos atrito.
Impacto para a América Latina
Na região, onde remessas representam fonte relevante de renda, a substituição parcial de sistemas tradicionais como SWIFT por rails cripto pode fazer diferença concreta. Ao aproximar as taxas de transferência de zero e garantir liquidação em tempo real com USDC, mais recursos chegam integralmente a famílias e pequenos negócios. Essa redução de custos é vista pela Coinbase como um passo para a democratização econômica, ampliando acessibilidade financeira e diminuindo perdas por intermediários.
Transparência, censura e o papel das reservas
Um ponto sensível é a crítica às stablecoins centralizadas: por serem emitidas por entidades como a Circle, podem contar com mecanismos de congelamento de fundos, o que leva alguns a compará‑las a versões digitalizadas do sistema fiduciário. Plein responde que, apesar da centralização do emissor, stablecoins oferecem maior visibilidade por estarem registradas em um ledger público, aumentando a transparência sobre movimentações e reservas.
Ao mesmo tempo, ele reconhece a demanda por ativos descentralizados como o Bitcoin, que muitos veem como reserva de valor não sujeita a medidas de censura. No cenário brasileiro e global, a expectativa da Coinbase é que ambos os tipos de ativos — stablecoins para liquidez e pagamentos, e Bitcoin para reserva descentralizada — coexistam e complementem estratégias financeiras de indivíduos e instituições.
Em síntese, a visão apresentada por Plein combina infraestrutura técnica, clareza regulatória e casos de uso práticos. A ideia é que, com uma ponte sólida entre o sistema bancário e protocolos onchain, capitais hoje fora da internet possam transitar para ambientes digitais, beneficiando comerciantes, trabalhadores e desenvolvedores que constroem novas formas de mover valor.
