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21 julho 2026

Como o tarifaço dos EUA afeta investimentos e setores brasileiros

O novo tarifaço de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros coloca a guerra comercial no radar dos investidores. Descubra quais setores serão mais afetados e como se preparar.

Como o tarifaço dos EUA afeta investimentos e setores brasileiros

Um novo tarifaço de 25% anunciado pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros está gerando preocupação entre investidores e empresários. A medida, que entra em vigor em 22 de julho de 2026, será adicional às alíquotas já existentes, impactando diretamente a competitividade de empresas exportadoras.

Especialistas avaliam que, embora os efeitos no mercado financeiro como um todo ainda sejam incertos, setores específicos podem enfrentar desafios significativos. A Resenha do Dinheiro programa apresentado por Marília Fontes, destaca que as tarifas tornam os produtos brasileiros mais caros para o consumidor americano, reduzindo a competitividade de empresas exportadoras.

Setores mais afetados e estratégias de negociação

Entre os setores mais preocupados estão as empresas de carnes como JBS, Marfrig e Minerva, que podem sofrer com a redução nas vendas e nos resultados. Fontes explica que, quando um setor é diretamente impactado por tarifas, as ações dessas empresas tendem a cair na bolsa devido à projeção de redução nas vendas.

No entanto, Fontes ressalta que anúncios desse tipo costumam fazer parte da estratégia de negociação dos EUA em disputas comerciais. “Geralmente, os Estados Unidos anunciam as tarifas e depois abrem espaço para negociação”, afirma. Ela destaca que essas medidas também têm um custo para os EUA, pois encarecem os produtos importados e podem pressionar a inflação americana.

Para André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica, em momentos de tensão comercial, seria esperado um movimento de busca por ativos mais seguros, como o dólar. No entanto, recentemente, o que ocorreu foi justamente o contrário, com valorização do real frente à moeda americana.

Perspectivas macroeconômicas e diversificação de mercados

Galhardo pondera que a inflação mais moderada nos EUA diminui a expectativa de novas altas de juros pelo Fed, enquanto o IPCA de junho abaixo das projeções reforçou a percepção de um ambiente mais favorável para ativos brasileiros. “Os EUA seguem como um importante parceiro comercial do Brasil, mas o país conseguiu diversificar parte de seus mercados compradores desde o início da guerra comercial”, afirma.

Ele ainda destaca que existe um elevado grau de incerteza sobre a dimensão dos impactos. “O mercado ainda está tateando. Diante desse nível de incerteza, é difícil dizer que este seja o momento de trocar ações ou fazer mudanças relevantes na carteira”, ressalta. Em momentos como este, especialistas lembram que o melhor caminho para o investidor é garantir uma boa diversificação.

Enquanto isso, o governo brasileiro ainda não anunciou respostas concretas com base na legislação. O vice-presidente Geraldo Alckmin adotou um tom de defesa da soberania, mas se limitou a dizer que a lei será aplicada “no momento adequado”. Especialistas avaliam que a gestão Lula deve manter um tom político duro, mas preservar o diálogo técnico e adotar cautela nas ações práticas.

Riscos e ganhos da reciprocidade

Um dos principais receios é o impacto sobre os preços para os consumidores brasileiros. A lógica é simples: caso o governo opte por sobretaxar produtos americanos, o Brasil também encareceria parte de suas importações. Na prática, esse aumento de custos tende a ser repassado aos consumidores finais, criando um efeito duplo negativo para o país.

Thiago de Aragão, CEO da Arko Internacional, acredita que o principal risco de uma resposta aos EUA é “o Brasil retaliar e se machucar sozinho”. Ele lembra que a “munição” brasileira é limitada, já que boa parte do que o país importa dos americanos são insumos, máquinas e peças que entram na cadeia produtiva nacional.

Enquanto isso, a ApexBrasil, autarquia ligada ao governo federal, já prepara um programa de diversificação de mercados para apoiar setores afetados pelas novas tarifas e aproveitar oportunidades do acordo entre Mercosul e União Europeia. O plano, previsto para o início de agosto, terá investimento de R$ 130 milhões e será desenvolvido em parceria com o setor privado.