Uma pesquisa conduzida pela CoinTracker em parceria com a Coinbase revela que muitos investidores americanos ainda não assimilam as mudanças nas obrigações fiscais relacionadas a criptomoedas. O levantamento ouviu 3.000 participantes e apontou lacunas significativas no conhecimento sobre o processo de declaração, mesmo após o anúncio de novas exigências do governo.
O ponto central da mudança é o formulário 1099‑DA, instituído pelo IRS em 2026 para reportar operações envolvendo criptomoedas, stablecoins e NFTs.
As corretoras passaram a enviar informações ao fisco, permitindo cruzamento de dados, mas o cálculo dos resultados tributáveis permanece sob responsabilidade do contribuinte.
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O que traz o 1099‑DA e como isso impacta o contribuinte
O 1099‑DA funciona como um relatório padronizado que reúne movimentações de ativos digitais realizadas por usuários em plataformas reguladas. Em termos práticos, o formulário exige que exchanges compartilhem detalhes de transações com o IRS — informações que o governo pode usar para conferência. Ainda assim, o contribuinte precisa apurar o seu próprio preço de aquisição e o valor de venda para determinar o ganho ou prejuízo, seguindo a lógica do cálculo: preço de venda menos custo de aquisição.
Essa combinação de reporte automático pelas corretoras e de responsabilidade individual para a apuração cria um cenário em que erros de cálculo ou omissões podem ser detectados com maior facilidade pelo fisco, mas também aumenta a pressão sobre investidores que não dominam conceitos como base de custo ou atividade tributável.
O panorama do conhecimento entre investidores
Percepções e números
Entre os entrevistados, 74% reconhecem que criptomoedas são passíveis de tributação, mas a convicção não se traduz em domínio prático do processo: 61% declararam desconhecer exatamente como funciona a declaração atualmente, e apenas 49% souberam identificar com precisão o gatilho que gera a obrigação tributária. Além disso, apesar de 56% avaliarem seus conhecimentos como bons ou excelentes, quase dois terços — novamente 61% — desconheciam regras específicas previstas para o ano‑base de 2026.
Equipamentos e equívocos mais comuns
O estudo também evidenciou mal‑entendidos: muitos investidores acreditam, erroneamente, que a tributação acontece apenas quando os ganhos ultrapassam determinado limite ou que determinadas operações são isentas. Por exemplo, 41% pensam que simplesmente transferir cripto para uma conta bancária torna o ato tributável — interpretação incorreta do que constitui uma atividade tributável. Esses erros de compreensão podem levar a declarações inadequadas ou omissões involuntárias.
Ferramentas, profissionais e o papel da inteligência artificial
Para lidar com a complexidade, os contribuintes recorrem a soluções tecnológicas e a profissionais: 78% usam softwares genéricos de declaração e 52% contratam contadores. Há também uma crescente disposição a empregar inteligência artificial — 47% afirmam que recorreriam à IA para cálculos como renda tributável, custo de aquisição e ganhos de capital; 43% acreditam que IA poderia oferecer recomendações fiscais personalizadas; 39% veriam utilidade na análise automatizada de normas para encontrar deduções; e 30% confessaram que poderiam confiar na IA para conduzir todo o processo fiscal.
Esses números indicam não só uma busca por eficiência, mas também uma tentativa de mitigar a incerteza diante de regras em evolução. Ainda assim, o uso de tecnologia não exime o contribuinte de compreender os fundamentos ou de revisar os resultados gerados por ferramentas automatizadas.
Implicações práticas e recomendações
Na prática, quem opera com criptomoedas deve registrar com cuidado as entradas e saídas, manter comprovantes e entender o conceito de base de custo para calcular ganhos de capital corretamente. Mesmo que exchanges repassem dados ao IRS, a responsabilização pela apuração permanece com o investidor. Diante do cenário, a orientação é combinar o uso de software confiável, consultas a profissionais especializados e uma dose de educação fiscal para reduzir riscos de autuações.
O estudo da CoinTracker e da Coinbase coloca em evidência a necessidade de mais comunicação entre órgãos reguladores, plataformas e usuários para que a introdução do 1099‑DA cumpra o objetivo de trazer transparência sem gerar confusão generalizada.
