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como geração z, campanhas de marcas e reforma tributária estão redefinindo consumo e varejo

Nos últimos movimentos que têm chamado atenção do mercado e dos consumidores, três frentes distintas mostram a dinâmica entre comportamento individual e ação corporativa. Por um lado, jovens aderem a dispositivos e cartões físicos que servem como bloqueadores de aplicativos para reduzir o uso compulsivo de redes sociais; por outro, grandes marcas como a Sadia lançam campanhas robustas para festas de aniversário e o varejo amplia projetos de origem regional.

Tudo isso ocorre enquanto propostas de reforma tributária e programas de capacitação no setor supermercadista alteram o cenário operacional.

Este apanhado reúne sinais de consumo, marketing e regulação: comportamento digital emergente (reportado em 15/02/), ações promocionais comemorativas e iniciativas de fomento ao varejo e à diversidade de fornecedores (com pautas datadas em 29/04/) e debates sobre a tributação de alimentos na reforma proposta (26/04/). A seguir, detalhamos cada tema e apontamos como eles se conectam no cotidiano do consumidor e do supermercadista.

Generação z e o retorno à estética analógica: bloqueadores físicos são moda

Um fenômeno curioso é a popularidade de dispositivos que funcionam como bloqueadores de apps — pequenos cartões ou mecanismos físicos que limitam o acesso a plataformas como Instagram e TikTok. A adoção desse tipo de solução tem duplo efeito: ajuda a combater o doomscrolling e, paradoxalmente, gera conteúdo digital, já que muitos jovens compartilham nas redes a própria decisão de desconectar. Essa contradição evidencia uma tendência cultural em que a busca por equilíbrio se mistura à performatividade online.

Por que a moda cresce?

O apelo vem da necessidade de controle percebida diante de estímulos constantes. O uso de um cartão bloqueador é simples e visualmente simbólico: funciona como um lembrete físico e como um acessório que comunica intenção. Para marcas e varejistas, a popularidade cria oportunidades de merchandising e de comunicação sobre bem-estar digital.

Sadia 80 anos: promoção massiva e incentivos para supermercados

Em celebração aos seus 80 anos, a Sadia, integrante da BRF, lançou uma campanha de grande escala com prêmios que totalizam cerca de R$ 10,2 milhões, divididos em 20.000 prêmios instantâneos de R$ 80, prêmios diários de R$ 8.000 e um prêmio principal de R$ 8 milhões. Segundo a empresa, a ação — orquestrada com a agência Mkt House — terá 80 dias de duração e visa fortalecer a presença da marca no ponto de venda e impulsionar o fluxo e o ticket médio dos supermercados.

Impacto no varejo

Para os supermercadistas, a promoção representa uma ferramenta para aumentar vendas por impulso e atrair clientes ao PDV. A BRF destaca que a iniciativa também contempla materiais de apoio, mascote em ponto de venda e inserções de retail media em lojas parceiras. A mensagem central é alinhar experiência de compra com ações promocionais que beneficiem tanto a indústria quanto o varejo.

Iniciativas de diversidade de produtos e reforma tributária: desafios e oportunidades

No plano de sortimento, o Carrefour lançou o projeto “Floresta Faz Bem”, com gôndolas dedicadas a produtos de origem indígena, quilombola e da agricultura familiar — meta de ampliar a oferta para 50 lojas até. Essa estratégia conecta responsabilidade social e diferenciação comercial, abrindo espaço para itens como açaí e babaçu e reforçando nichos sustentáveis.

Paralelamente, a proposta de regulamentação da reforma tributária, divulgada com listas de produtos que comporiam a nova cesta básica e isenções, criou debates importantes. O governo apontou 15 itens com alíquota zero no novo IVA, priorizando alimentos in natura e minimamente processados, ao passo que outras categorias, como carnes e pescados sofisticados, receberam tratamento diferenciado. A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) promete contraproposta, defendendo a inclusão de certas proteínas essenciais.

O que isso significa para o consumidor e para o setor?

Alterações de alíquotas influenciam preços relativos: produtos básicos podem ficar mais baratos, enquanto itens que não entram na cesta podem subir. Para redes e fornecedores, isso exige reajuste de sortimento, estratégia de preço e comunicação clara ao cliente. Projetos como o do Carrefour e promoções como a da Sadia podem mitigar impactos, estimulando demanda por produtos específicos e fortalecendo parcerias com produtores locais.

Capacitação e futuro do varejo

Além de iniciativas comerciais, entidades do setor seguem investindo em formação. A Escola ASSERJ mantém programação de cursos sobre higiene, manipulação de alimentos e eficiência operacional, com turmas e inscrições regulares. A capacitação é apontada como essencial para elevar padrões, reduzir riscos regulatórios e aproveitar oportunidades geradas por mudanças fiscais e de consumo.

Entender essas frentes permite aos supermercadistas e fabricantes ajustar estratégias de sortimento, precificação e comunicação para um mercado em rápida evolução.