O Departamento de Comércio e Assuntos do Consumidor (DCCA) do Havaí divulgou um comunicado na quinta-feira (16) alertando para o aumento de esquemas de investimento envolvendo criptomoedas nas plataformas da Meta. Segundo a nota, golpistas têm explorado redes sociais para encontrar alvos com pouca experiência financeira, oferecendo retornos rápidos e garantidos que fogem da realidade.
A diretora da agência, Mana Moriarty, chamou atenção para o uso crescente de vídeos alterados por inteligência artificial como isca, prática que confere aparência de credibilidade a mensagens que, na prática, buscam apenas capturar fundos.
Essas fraudes costumam combinar elementos visuais profissionais e comunicações personalizadas para criar um ambiente de confiança. Os criminosos costumam direcionar interessados para grupos fechados em WhatsApp e Telegram, onde a pressão por participar de supostas oportunidades de compra aumenta. Em muitos casos, há a montagem de páginas e plataformas que imitam corretoras legítimas, além da utilização de imagens de figuras públicas sem autorização para dar impressão de recomendação. O efeito desejado é que o usuário faça depósitos em carteiras controladas pelos golpistas antes de perceber que tudo é falso.
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Como os golpes atraem investidores
Isca digital com rostos conhecidos: os golpistas recorrem a deepfakes e montagens para simular depoimentos de empresários ou celebridades que supostamente recomendam certo ativo. Essa estratégia explora o efeito de autoridade: pessoas novatas tendem a confiar mais em um conselho quando associam nome ou rosto famoso a uma oportunidade. Depois do primeiro contato, o interessado é encaminhado a ambientes privados, onde a narrativa é reforçada por testemunhos falsos e anúncios que prometem valorização imediata. O uso de deepfake e vídeos editados é uma tática deliberada para criar urgência e reduzir o tempo de checagem por parte do público.
Grupos fechados e esquema de valorização
Após o convite inicial, as vítimas são muitas vezes integradas a círculos restritos que promovem compras coordenadas de ativos de baixo valor para inflar artificialmente o preço — uma prática conhecida no mercado como pump-and-dump. Nessas comunidades, operadores sugerem ordens sincronizadas para gerar ganhos rápidos que, por sua vez, servem como prova social para convencer novos participantes. Quando a bolha criada pelos operadores estoura, quem entrou por último observa a perda de quase todo o capital, enquanto os controladores do esquema sacam recursos para carteiras privadas e desaparecem.
Métodos de retaliação e exigência de taxas
Outra técnica identificada envolve plataformas de negociação clonadas que mostram saldos fictícios, com pequenas retiradas liberadas inicialmente para passar confiança. Depois, ao tentar retirar o montante principal, a vítima se depara com exigências de pagamentos adicionais — supostas taxas administrativas, impostos ou tarifas de desbloqueio. Esses valores servem para esvaziar ainda mais as contas e são precedidos por um atendimento falso que opera como suporte técnico. Quando as cobranças são pagas, os golpistas encerram o contato e somem com os fundos, dificultando qualquer recuperação.
Transações irreversíveis e pedidos suspeitos
Autoridades ressaltam que pedidos para transferir dinheiro por meio de caixas eletrônicos de criptoativos ou enviar valores diretamente para chaves privadas constituem sinais de alto risco, pois as transações com criptomoedas têm caráter essencialmente irreversível e ficam difíceis de rastrear. Além disso, ofertas paralelas de serviços que prometem recuperar recursos já perdidos costumam ser mais um tipo de extorsão. É comum que esses supostos recuperadores peçam adiantamentos ou dados sensíveis antes de desaparecer.
Como se proteger: recomendações práticas
O DCCA orienta que o investidor mantenha postura cética diante de promessas de lucro garantido e pressão por decisões rápidas. Antes de aplicar qualquer valor, consulte o registro da corretora em bases oficiais do governo e verifique reviews independentes. Proteja senhas, dados bancários e evite compartilhar informações pessoais em mensagens diretas. Ao identificar um perfil suspeito ou uma oferta que pareça fora do comum, busque confirmação por múltiplas fontes e não aceite solicitações para transferir fundos a carteiras desconhecidas.
Por fim, a agência recomenda cautela com anúncios que usem imagens de celebridades sem explicação clara e com intermediários que cobrem para recuperar perdas. A diretora Mana Moriarty reforça a necessidade de desconfiança diante de lucros extraordinários anunciados em redes sociais. A soma dessas práticas de verificação — checar registros, manter informações pessoais em sigilo e evitar transferências irreversíveis — aumenta significativamente as chances de não cair em fraudes sofisticadas.
