Nos últimos movimentos do mercado brasileiro há dois sinais claros de mudança de panorama: uma gestora tradicional revisando sua atuação e uma nova corrente de investimento que valoriza o mundo físico em detrimento do puro digital. A gestora Velt Partners, conhecida pelo foco em value investing, decidiu rever sua estratégia e não se limitar mais ao universo da bolsa como único campo de atuação.
Paralelamente, uma tese batizada de HALO trading — sigla para Heavy Assets, Low Obsolescence — vem atraindo capital ao premiar empresas com infraestrutura e menor risco de obsolescência tecnológica.
Essas duas narrativas se conectam: tanto gestores de boutique quanto grandes alocadores estão repensando como gerar retorno no Brasil em um cenário em que a inteligência artificial redesenha expectativas sobre crescimento e múltiplos. A Velt optou por ampliar o leque de estratégias para buscar oportunidades em empresas onde seja possível criar valor fora da variação diária das ações negociadas. Ao mesmo tempo, estrangeiros e gestores locais têm olhado com mais carinho para setores que fornecem a base física da economia digital — uma mudança de preferência que tem impacto direto no fluxo de capitais para o país.
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Por que a Velt está repensando o investimento em ações
A decisão da Velt Partners surge da percepção de que a parcela de empresas atraentes exclusivamente via mercado acionário ficou limitada. Em vez de depender só da liquidez e das oportunidades da bolsa, a gestora pretende explorar outras formas de participar do crescimento das companhias, como investimentos diretos, participações em operações privadas e estratégias ativistas. Essa mudança busca capturar retornos onde a análise fundamentalista tradicional pode agregar valor fora do olhar do mercado público, preservando a filosofia de value investing enquanto amplia o universo de atuação e reduz a dependência das oscilações intradiárias.
O que é HALO trading e por que importa
O conceito de HALO trading representa uma migração de capital para negócios com ativos pesados e baixa obsolescência. Em outras palavras, gestores estão privilegiando empresas cuja substituição por tecnologia é mais lenta e cujo valor se sustenta em infraestrutura, energia, mineração e serviços regulados. O termo inclui a abordagem picks and shovels, isto é, apostar nas ferramentas e bases que sustentam a economia tecnológica em vez de especular sobre plataformas facilmente afetadas por avanços de inteligência artificial.
Impacto no Ibovespa e fluxo de capital
O índice Ibovespa tem vantagens nesse movimento graças à significativa participação de empresas intensivas em ativos físicos e setores regulados. Essa composição atrai investidores internacionais que buscam exposição a infraestrutura e commodities com menor risco de desvalorização rápida. A entrada de capital estrangeiro tem sido facilitada por essa leitura: enquanto alguns mercados valorizam crescimento digital puro, o Brasil oferece um mix de companhias que funcionam como pilares da economia real, tornando o país um destino natural para estratégias baseadas em HALO trading.
Setores que se beneficiam
Infraestrutura, energia, mineração e utilidades aparecem como principais beneficiados pela tese HALO. Essas empresas fornecem a espinha dorsal para a expansão tecnológica — cabos, redes, geração e transmissão, logística, minas e sistemas regulados — e, por isso, recebem atenção renovada de gestores. A lógica é simples: em cenários de rápida mudança tecnológica, quem entrega suporte físico e tem custos de substituição elevados tende a manter valor e gerar fluxo de caixa previsível, o que atrai estratégias de longo prazo e menor volatilidade.
Conclusões e implicações para investidores
O movimento da Velt em diversificar técnicas de investimento e a difusão do HALO trading sinalizam que o mercado brasileiro está se adaptando a um novo equilíbrio entre tecnologia e ativos reais. Para investidores, isso implica revisar alocações, considerar exposições fora do mercado acionário tradicional e reconhecer o papel estratégico de setores com baixa obsolescência. A combinação entre participação ativa em empresas e a preferência por infraestrutura pode ampliar fontes de retorno no Brasil, sem abrir mão da disciplina do value investing que orientou muitas casas nos últimos anos.
