O Méliuz (B3: CASH3) deu mais um passo em sua estratégia financeira ao retirar 4.985.000 ações de circulação por meio de operações com contratos de derivativos. Essa ação, equivalente a aproximadamente 54,6% do total autorizado no programa de recompra, foi executada pela diretoria com o objetivo claro de reduzir o número de papéis disponíveis no mercado e, consequentemente, aumentar a participação de ativos digitais por cada acionista.
O efeito prático dessa tática aparece em um indicador que vem ganhando espaço entre companhias com reservas em bitcoin: o Bitcoin Yield Ajustado. Com a recompra, a métrica reportada pela empresa atingiu 4,38% no período considerado — o que equivale a um rendimento médio de 1,23% ao mês — cálculo que considera apenas os papéis em livre negociação, excluindo os recolhidos pelo programa.
O que mudou no balanço e por que isso importa
A operação de recompra impacta diretamente a relação entre o total de bitcoins em tesouraria e as ações em circulação. O Méliuz mantém 604,69 BTC em sua tesouraria institucional, valor que foi informado pela companhia e que, à cotação referida nos comunicados, corresponde a cerca de R$ 212,3 milhões. Além disso, a empresa declara possuir aproximadamente R$ 67,3 milhões em caixa destinado às despesas operacionais, totalizando algo em torno de R$ 279,6 milhões em ativos líquidos prontos para uso.
Sem alavancagem e com caixa operacional
Na comunicação ao mercado, a administração enfatizou que a companhia opera sem endividamento relevante e sustenta o negócio com recursos próprios, dispensando o uso de alavancagem bancária. Essa postura reforça a tese de segurança para investidores que consideram a exposição em criptoativos dentro de um contexto corporativo conservador e com liquidez imediata.
O indicador bitcoin yield ajustado explicado
O Bitcoin Yield Ajustado é uma forma de medir quanto cada ação remanescente representa do estoque de bitcoin da empresa. Diferente de métricas que dependem apenas da valorização da moeda, esse indicador reflete também mudanças no capital social — como recompras ou cancelamentos de ações — e mostra como ações corporativas podem aumentar a parcela de ativos digitais por acionista sem que haja nova aquisição de moedas.
Como a recompra gera rendimento por acionista
Quando uma empresa retira ações do mercado, a proporção de bitcoins por ação sobe automaticamente. No caso do Méliuz, a recompra de 4.985.000 papéis gerou um aumento do bitcoin yield ajustado para 4,38% em três meses, traduzido em um ganho médio mensal de 1,23% nessa métrica. Em termos práticos, cada ação remanescente passou a representar uma fatia maior do estoque de 604,69 BTC.
Desempenho operacional e contexto
Além da movimentação em ações e tesouraria, a companhia reportou resultados operacionais positivos: nos doze meses encerrados no 3T25, o negócio operacional gerou R$ 94,7 milhões de Ebitda e R$ 53,3 milhões de lucro líquido, segundo os relatórios. No próprio 3T25, o Méliuz anotou lucro líquido consolidado de R$ 14,2 milhões e um Ebitda consolidado de R$ 26,5 milhões, com avanço relevante frente ao ano anterior.
Esses números mostram que a estratégia de alocação em bitcoin convive com um negócio operacional que tem gerado caixa e lucro, reduzindo a necessidade de financiamento externo e oferecendo maior flexibilidade para ações corporativas como recompras.
Origem da estratégia e cenários para investidores
O Méliuz foi uma das primeiras empresas brasileiras a anunciar publicamente uma política de Bitcoin Treasury, iniciativa tornada explícita em . A inspiração, conforme comunicado, veio de modelos corporativos nos Estados Unidos, que adotaram a compra de bitcoin como componente de gestão de tesouraria.
Para investidores, a leitura prática é dupla: por um lado, a recompra aumenta a exposição de cada ação ao ativo digital; por outro, manter uma reserva significativa em bitcoin introduz volatilidade de mercado ao patrimônio da companhia. A combinação, contudo, tem sido apresentada pela empresa como compatível com sua geração de caixa e posicionamento financeiro.
985.000 ações e a manutenção de 604,69 BTC em tesouraria explicam o salto para 4,38% no bitcoin yield ajustado, enquanto a solidez operacional no 3T25 sustenta a narrativa de que o movimento foi realizado com recursos próprios e foco em benefício aos acionistas.
