A Geração Z está trazendo uma nova perspectiva para a gestão financeira pessoal. Enquanto conceitos como poupança e controle de despesas sempre foram fundamentais, os jovens estão adicionando um toque moderno, criando o que chamam de moneymaxxing.
Esta abordagem não é apenas sobre economizar, mas sobre otimizar cada aspecto das finanças pessoais. Desde a criação de orçamentos familiares com ajuda de inteligência artificial até estratégias para maximizar recompensas de cartões de crédito, o moneymaxxing está se tornando uma tendência viral.
O fenômeno do maxxing e sua aplicação financeira
O moneymaxxing faz parte de uma cultura mais ampla conhecida como maxxing que envolve a otimização de diversos aspectos da vida. Existem variações como sleepmaxxing para melhorar o sono e vacationmaxxing para planejar férias perfeitas. No entanto, o moneymaxxing está ganhando destaque por sua relevância imediata para a Geração Z.
Uma pesquisa global da Deloitte revelou que 55% dos jovens entre 19 e 31 anos em 44 países adiaram decisões importantes devido a preocupações financeiras. Além disso, um estudo da Northwestern Mutual nos EUA mostrou que 72% dos jovens da Geração Z ainda dependem dos pais para se sustentar.
Desafios e oportunidades da Geração Z
No Brasil, a situação não é diferente. Segundo uma pesquisa da Anbima realizada este ano, 51% da Geração Z não guarda dinheiro, um percentual ligeiramente melhor que as gerações anteriores. Além disso, 27% dos jovens se declaram apostadores, um número significativamente maior que os 10% da Geração X e os 4% dos baby boomers.
Ana Leoni, CEO da Planejar organização que emite os certificados de planejadores financeiros (CFP) no Brasil, destaca que a necessidade de guardar dinheiro e se organizar não é nova, mas essa abordagem diferente pode chamar a atenção de pessoas que costumam ser capturadas por tendências e coisas mais radicais.
Resultados e riscos do moneymaxxing
O Bank of America identificou uma melhora nos hábitos financeiros da Geração Z nos EUA em uma pesquisa publicada em 2026. 51% dos entrevistados começaram a guardar dinheiro nos 12 meses anteriores ao levantamento, e 25% quitaram ou reduziram dívidas. Além disso, 64% cortaram despesas, com 41% diminuindo gastos com refeições fora de casa e 23% optando por supermercados mais baratos.
No entanto, o moneymaxxing também apresenta riscos. A busca por resultados extremos pode levar a comportamentos obsessivos. Histórias de sucesso que viralizam muitas vezes envolvem mudanças radicais de hábitos ou ganhos excepcionais, o que pode não ser sustentável para todos.
Ana Leoni ressalta que uma boa organização financeira não é uma conta de chegada, é um hábito que precisa ser sustentável para ser mantido durante toda a vida. Ela também observa que os algoritmos das redes sociais premiam os conselhos mais interessantes, não necessariamente os melhores. Encontrar vídeos que recomendam investimentos pacientes e consistentes pode ser um desafio, mas é essa a abordagem que realmente funciona.



