A ANDTech 2026 consolidou-se como um ponto de encontro para gestores públicos e empresas que atuam no campo da mobilidade. Realizado no Complexo Anhembi, em São Paulo, o evento aconteceu nos dias 09, 10 e 11 de março e trouxe à tona debates sobre inovação, transformação digital e o papel de tecnologias como a blockchain na gestão do trânsito.
Durante as sessões, representantes da Associação Nacional dos DETRANs expuseram iniciativas e levantaram questões práticas sobre integração de dados, segurança e eficiência operacional.
O encontro reuniu tanto autoridades de órgãos estaduais quanto fornecedores de soluções tecnológicas, criando um ambiente propício para troca de experiências. Além de painéis e apresentações, houve discussões técnicas voltadas à interoperabilidade entre sistemas, proteção de informações pessoais e modelos de governança. Para os participantes, a combinação entre políticas públicas e ferramentas digitais representa uma oportunidade para modernizar serviços oferecidos pelos DETRANs e melhorar a experiência dos usuários.
Por que o blockchain interessa aos DETRANs
O interesse pelo blockchain decorre de características que podem beneficiar processos do trânsito, como garantia de integridade de registros, rastreabilidade e redução de fraudes. Em termos práticos, os DETRANs consideram usos que vão desde o registro de históricos veiculares até a validação de documentos digitais. A tecnologia é vista como uma ferramenta que facilita auditorias e aumenta a confiança entre órgãos e cidadãos, sobretudo quando aplicada em conjunto com outras soluções de segurança da informação.
Benefícios operacionais e administrativos
Entre os benefícios discutidos estavam a possibilidade de criar um registro imutável de eventos relacionados a veículos e condutores, o que facilita processos de transferência, checagem de multas e verificação de autenticidade de documentos. Outro ponto destacado foi a redução da necessidade de intermediários em alguns procedimentos, potencialmente acelerando serviços e reduzindo custos. Especialistas presentes também lembraram que a adoção exige planejamento para alinhar a tecnologia com normas e sistemas legados.
Desafios técnicos e regulatórios
Ao mesmo tempo, as intervenções chamaram atenção para obstáculos que precisam ser superados antes da ampla implementação de blockchain nos DETRANs. Questões como privacidade de dados, conformidade com legislações existentes e escalabilidade das soluções foram levantadas como pontos críticos. A interoperabilidade com plataformas estaduais variadas e a necessidade de padronização de protocolos surgiram como requisitos para que projetos piloto tenham chance de evoluir para iniciativas em larga escala.
Segurança, custos e governança
Os palestrantes ressaltaram que a segurança não se resume ao uso de criptografia; envolve também políticas de acesso, controles administrativos e auditorias regulares. Do ponto de vista financeiro, houve debate sobre o custo inicial de implementação e sobre modelos de financiamento que possam distribuir investimentos entre governo e fornecedores. A discussão sobre governança enfatizou a importância de definir quem gerencia as redes, como são tomadas as decisões e de que forma se garante transparência para cidadãos e órgãos parceiros.
Perspectivas e próximos passos
Como encaminhamento prático, a Associação Nacional dos DETRANs propôs a criação de grupos de trabalho para avaliar provas de conceito e promover testes controlados entre estados. A proposta prevê que pilotos contemplem tanto aspectos técnicos — como integração de APIs e testes de performance — quanto parâmetros legais, envolvendo departamentos jurídicos para mapear soluções compatíveis com a legislação. Essa abordagem gradativa busca reduzir riscos e permitir ajustes antes de ampliações em nível nacional.
Por fim, participantes destacaram que a adoção de tecnologias digitais no trânsito deve priorizar a melhoria do serviço ao cidadão e a eficiência administrativa. A ANDTech 2026 funcionou como um catalisador de diálogo entre poder público e mercado, abrindo caminho para experiências que, se bem conduzidas, podem modernizar procedimentos dos DETRANs. Mantendo o foco em testes, governança e proteção de dados, os próximos meses deverão consolidar projetos-piloto que orientarão decisões futuras.
