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Cidade americana proíbe caixas eletrônicos de Bitcoin e dá prazo de 60 dias

A decisão tomada pela administração de Haverhill, cidade americana com cerca de 61 mil habitantes, determina que todos os caixas eletrônicos de Bitcoin presentes no município sejam removidos no prazo de 60 dias. A justificativa oficial ressalta que esses aparelhos representam riscos significativos ao público, entre eles fraude e lavagem de dinheiro, e que muitos usuários não teriam meios de recuperar valores em situações de golpe.

A medida inclui proibição de instalação, operação e manutenção de qualquer ATM de criptomoeda dentro dos limites da cidade.

O que são esses equipamentos e por que despertam desconfiança

Na prática, os ATMs de Bitcoin permitem a compra e venda de criptomoedas de forma presencial, numa experiência parecida com uma corretora, porém operada por um terminal físico. Para clarificar, entendemos por ATM de criptomoeda um equipamento que converte moeda fiduciária em ativo digital instantaneamente e, na maioria dos casos, de maneira irreversível. Esse fluxo facilita operações legítimas, mas também tem sido explorado por criminosos que orientam vítimas leigas a enviar Bitcoin para carteiras controladas por golpistas, eliminando a possibilidade de estorno.

Ações de advertência e casos recentes

Como exemplo de alerta público, a polícia de Waterford instalou placas ao lado de alguns ATMs em 2026 para avisar a população sobre golpes que usam esses terminais como via de pagamento. As mensagens enfatizavam que instruções para enviar dinheiro por um caixa eletrônico de criptomoeda vindas de pessoas desconhecidas podem indicar fraude. Além desses avisos, houve processos judiciais no estado de Iowa em 2026 envolvendo empresas do setor, como Bitcoin Depot e CoinFlip, o que ilustra a pressão legal enfrentada por operadores desses equipamentos.

Texto da proibição e sanções previstas

A normativa municipal de Haverhill afirma que caixas eletrônicos de criptomoedas não regulamentados expõem residentes vulneráveis a riscos desnecessários, citando especificamente fraude financeira, lavagem de dinheiro e a falta de recurso dos usuários como fundamentos da proibição. No caso de descumprimento, a cidade estipula multa de US$ 300 por dia (aproximadamente R$ 1.550) até a retirada do equipamento. A ordem é abrangente: nenhum indivíduo, empresa ou entidade poderá instalar, operar ou permitir operação de um ATM de criptomoeda enquanto a medida estiver em vigor.

Impacto local e reação do mercado

Embora decisões como essa tenham efeito direto apenas na área geográfica definida, elas reverberam no debate sobre regulamentação das moedas digitais. Operadores e investidores observam que, além das sanções, a incerteza regulatória pode reduzir a disponibilidade desses serviços em outros municípios, pressionando empresas que fornecem os terminais a rever modelos de compliance e due diligence para evitar litígios e multas.

Panorama global e números que explicam a retração

Segundo o site Coin ATM Radar, o número de caixas eletrônicos de Bitcoin atingiu 39.990 em dezembro de 2026, refletindo um pico após rápida expansão. Desde então, a quantidade estagnou e hoje gira em torno de 38.900 equipamentos globalmente. Do total atual, cerca de 30.200 estão nos Estados Unidos, seguidos pelo Canadá com aproximadamente 3.900, Austrália com cerca de 2.000 e Espanha com ~370. No Brasil, o site aponta apenas 5 ATMs em operação, sendo três no Rio de Janeiro e duas em São Paulo.

A estabilização e ligeira queda do parque de ATMs nos últimos anos decorrem não só da ação regulatória, mas também das elevadas taxas de negociação cobradas por esses terminais, geralmente muito superiores às praticadas por corretoras digitais. Esse conjunto de fatores — pressão legal, risco de golpes e custos pouco competitivos — tem freado tanto a instalação quanto o uso pelos investidores que procuram alternativas mais baratas e seguras para comprar e armazenar Bitcoin.

O que fazer se você usa ou planeja usar um ATM de Bitcoin

Usuários devem adotar medidas básicas de proteção antes de utilizar qualquer terminal: confirmar a identidade do operador do equipamento, checar taxas exibidas no aparelho, e desconfiar de instruções de desconhecidos para transferir fundos. Além disso, é importante considerar práticas de auto custódia para controlar chaves privadas e reduzir dependência de terceiros. Procedimentos preventivos e informação são a melhor defesa contra fraude e perda de fundos.

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