Em um cenário econômico global marcado por incertezas, o Brasil emergiu como um dos destinos mais atraentes para o Investimento Estrangeiro Direto (IED) em 2026. Segundo o World Investment Report da Unctad (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento), o país subiu para a 5ª posição no ranking global, destacando-se mesmo em meio a turbulências econômicas.
Este avanço reflete a crescente confiança dos investidores internacionais no potencial do Brasil, especialmente em setores estratégicos como tecnologia e infraestrutura digital. Um exemplo notável é o projeto da chinesa ByteDance controladora do TikTok, que anunciou um investimento de US$ 41 bilhões na construção de um mega data center próximo a Fortaleza. Esse projeto representou 43% do total dos investimentos greenfield anunciados na América Latina.
Setores estratégicos impulsionam investimentos globais
Entre 2026 e 2026, os setores estratégicos, como inteligência artificial (IA)semicondutores e tecnologias de transição energética atraíram a maior parte dos investimentos globais. Segundo o relatório da Unctad, esses setores representaram 44% do investimento global em projetos de raiz em 2026, um aumento significativo em relação aos 16% registrados em 2026.
O valor anunciado nestes setores inovadores saltou de US$ 109 bilhões para US$ 576 bilhões no mesmo período. Essa mudança reflete a rápida reconfiguração da produção global, com os investimentos internacionais se concentrando em áreas de alta tecnologia e infraestrutura crítica.
Desigualdades nos investimentos globais
Apesar do crescimento nos setores estratégicos, o relatório da Unctad destaca as assimetrias no financiamento global. Entre 2026 e 2026, as economias de baixo rendimento e de rendimento médio-baixo atraíram apenas cerca de 10% do investimento de raiz global nesses setores. Essa concentração de investimentos em economias mais desenvolvidas pode limitar o crescimento de nações em desenvolvimento.
Para combater essa lacuna, o relatório sugere o desenvolvimento de infraestruturas digitais o reforço de competências e a criação de novos mercados regionais. A cooperação internacional também é destacada como uma forma de ajudar os países a competir sem tentar igualar a capacidade financeira das grandes economias.
Brasil e o carry trade
Enquanto o Brasil se destaca como destino de IED, o país enfrenta desafios em relação ao carry trade uma estratégia de investimento baseada na diferença entre taxas de juros de dois países. Segundo Johanna Chua, head de Research para Mercados Emergentes do Citi, o Brasil perdeu parte de sua vantagem nesse cenário devido à desancoragem das expectativas de inflação e ao risco de atraso nos cortes da Selic.
Chua destaca que o novo cenário econômico global, marcado por riscos geopolíticos e a euforia em torno da inteligência artificial tem direcionado os investidores de volta aos Estados Unidos. Isso pode tornar os investidores mais seletivos com os mercados emergentes, incluindo o Brasil.
Para que o Brasil volte a atrair investimentos significativos, seria necessário um enfraquecimento da tese da IA ou a demonstração de uma vantagem competitiva clara em outros setores. Enquanto isso, o país continua a se beneficiar de projetos de grande porte, como o data center da ByteDance, que reforçam sua posição como um destino atraente para o IED.


