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19 junho 2026

Brasil cai sete posições no ranking de competitividade em 2026

O Brasil perdeu posições no ranking de competitividade global, enfrentando desafios em educação, custo de capital e eficiência governamental.

Brasil cai sete posições no ranking de competitividade em 2026

O Brasil enfrentou um retrocesso significativo no ranking mundial de competitividade em 2026, caindo da 58ª para a 65ª posição entre 70 nações avaliadas. Esse resultado levanta preocupações sobre a capacidade do país de atrair investimentosempresas e gerar empregos.

Especialistas destacam que o ranking, elaborado pelo Institute for Management Development (IMD) em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC)mede a capacidade das nações de se tornarem ambientes favoráveis aos negócios. O Brasil, apesar de apresentar melhoras em áreas como atração de investimento estrangeiro e geração de empregosainda enfrenta desafios em educaçãoprodutividade e custo de capital.

Fatores que contribuem para a queda na competitividade

O levantamento analisa 300 aspectos diferentes, incluindo qualidade da educaçãocusto de capitaldesempenho do governo e desempenho das empresas. Entre os países mais bem colocados estão SingapuraHong KongSuíçaTaiwanEmirados Árabes UnidosDinamarcaIrlandaPaíses BaixosSuécia e Estados Unidos.

Essas nações têm em comum uma educação de alta qualidadeforte investimento em tecnologia e inovaçãoalém de um custo de capital significativamente mais baixo — exatamente os pontos em que o Brasil demonstra maior fragilidade. A analista Lucinda Pinto explica que a ausência de uma educação de qualidade impede um crescimento sustentável, criando uma espiral negativa que dificulta a atração de investidores.

Desafios estruturais e econômicos

Um aspecto que chama atenção é o fato de o Brasil ter piorado sua posição justamente em um período de crescimento econômico e aquecimento do mercado de trabalhocom a taxa de desemprego atingindo patamares mínimos historicamente. No entanto, isso não é suficiente para garantir competitividade, pois o país não conseguiu desenvolver outros aspectos fundamentais.

O diretor do Núcleo de Inovação, IA e Tecnologias Digitais da Fundação Dom Cabral, Hugo Tadeudestaca que o Brasil enfrenta dificuldades para transformar investimentos e conhecimento em ganhos de produtividade. A produtividade total dos fatores (PTF)que mede a eficiência com que uma economia alcança capital, tecnologia, inovação e qualificação profissional para gerar riqueza, é um dos principais desafios.

Além disso, o Brasil figura na última posição mundial em educação primária e secundáriahabilidades linguísticashabilidades financeiras e produtividade da força de trabalho. O custo de capital também é um fator crítico, com o país ocupando o último lugar no indicador de débito corporativo.

Eficiência governamental e qualidade do gasto público

O Brasil apresentou fragilidade em eficiência governamentalficando na última posição global. Hugo Tadeu avalia que o resultado é reflexo da qualidade do gasto público. Quando o custo do dinheiro aumenta, sobra menos espaço para investimentos em saúdeeducação e bem-estaráreas nas quais os países mais competitivos continuam investindo.

Embora exista disponibilidade de recursos, uma fatia considerável é direcionada ao financiamento do setor público, enquanto as empresas enfrentam elevados níveis de endividamento e custos financeiros. A inadimplência empresarial atingiu um novo recorde em 2026, com 9 milhões de CNPJs negativados, um aumento de 1,5 milhão em relação ao mesmo período do ano anterior.

Para elevar a capacidade de renda da população e melhorar a competitividade, o Brasil precisa investir em qualificaçãoprodutividade e formação de pessoas. Países que avançaram na competitividade fizeram isso investindo nessas áreas, enquanto o Brasil ainda convive com uma desigualdade elevada.

Autor

Bruno Costa