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Brasil aposta na retomada da indústria de fertilizantes para reduzir dependência externa

Em entrevista ao Der Spiegel publicada nesta quinta-feira, 16, o presidente Lula abordou a estratégia do governo para fortalecer a indústria de fertilizantes e evitar que o Brasil fique refém de fornecedores externos. Segundo o presidente, o país tem enfrentado dificuldades no abastecimento desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, o que evidenciou a fragilidade de uma cadeia produtiva pouco desenvolvida localmente. Lula afirmou que, nas últimas décadas, a produção interna ficou aquém do necessário e que algumas fábricas foram desativadas em governos anteriores, apontando para a necessidade de reconstrução industrial.

A conversa com o jornal alemão também trouxe avaliações sobre políticas adotadas para proteger o consumidor brasileiro frente a choques externos. O presidente explicou que o Palácio implementou subsídios e medidas voltadas a evitar aumentos bruscos no preço da gasolina, do diesel e do querosene. Lula citou impactos globais de conflitos no Oriente Médio e declarou que ações governamentais têm o objetivo de impedir que a alta dos combustíveis comprometa o custo da alimentação e o orçamento das famílias brasileiras. A afirmação reforça a prioridade de manter a estabilidade de preços em produtos essenciais.

Reativação da cadeia produtiva de fertilizantes

O cerne da estratégia anunciada é a reconstrução da indústria nacional para reduzir a dependência externa. Lula destacou que devia ter havido investimentos e estímulos há 20 ou 30 anos, mas que o Brasil perdeu capacidade produtiva em momentos críticos. A intenção do governo atual é reabrir plantas, atrair investimentos e criar condições para que a produção local atenda a maior parte da demanda agrícola. Para o presidente, um país com forte setor agroindustrial precisa de uma base industrial de fertilizantes robusta, tanto para segurança alimentar quanto para barganha geopolítica e econômica.

Medidas para mitigar o impacto de crises internacionais

Além do foco na indústria, o presidente explicou decisões emergenciais tomadas diante de choques internacionais. Lula apontou que a recente escalada no Oriente Médio gerou efeitos diretos nos preços de combustíveis, citando aumento significativo observado nos Estados Unidos. Como resposta, o governo anunciou subsídios e mecanismos para segurar os preços internos do combustível, buscando proteger o consumidor e o setor produtivo. A linha de raciocínio apresentada enfatiza que políticas públicas podem amortecer variações externas sem abrir mão de metas fiscais, ao menos no curto prazo.

Relações comerciais e presença em eventos internacionais

No mesmo diálogo, o presidente mencionou a agenda externa e a busca por novos compradores para produtos brasileiros. Lula ressaltou que, diante de eventuais barreiras comerciais com alguns parceiros, o Brasil ampliou sua atuação e já teria aberto centenas de mercados nos últimos anos, uma sinalização de que a estratégia comercial se diversifica. O objetivo declarado é não ficar “de braços cruzados” diante de restrições e, em vez disso, conquistar novos clientes para setores como agricultura e energia renovável, com destaque para o avanço em biocombustíveis.

Abertura de mercados e alternativas comerciais

O presidente destacou números e exemplos de expansão de vendas externas, dizendo que a diplomacia econômica se concentra em encontrar alternativas quando um comprador tradicional decide não negociar. A lógica é ampliar a rede de parceiros e aproveitar acordos e feiras internacionais para demonstrar a capacidade produtiva brasileira. Essa postura inclui tanto ações governamentais de facilitação de comércio quanto presença em eventos do setor, com interlocução direta entre autoridades e investidores estrangeiros.

Participação na Feira de Hannover

Lula também informou que participará da Feira de Hannover acompanhado do chanceler alemão Friedrich Merz, um evento visto como oportunidade para mostrar avanços nos setores de biocombustíveis e tecnologia agroindustrial. A presença em feiras internacionais integra a estratégia de reposicionamento: divulgar produção, atrair parceiros e fortalecer a imagem do Brasil como fornecedor resiliente. Para o governo, combinar reconstrução industrial interna e diplomacia comercial é essencial para reduzir vulnerabilidades e ampliar as opções de mercado.

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