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Bolsonaro diz que Moraes ordenou bloqueio de contas e aponta intenção de asfixiar família

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro publicou nas redes sociais que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, teria determinado o bloqueio de contas bancárias suas e da sua mulher, Heloísa Bolsonaro. Na mesma publicação ele disse que a decisão busca “asfixiar financeiramente” sua família e que isso compromete o sustento de seus filhos, de “apenas 5 e 2 anos”.

A postagem veio um dia depois de uma autorização judicial para que a Polícia Federal utilize provas de um inquérito criminal em um processo administrativo disciplinar (PAD) que pode resultar em sua demissão do cargo de escrivão.

Segundo a decisão referida, proferida na segunda-feira, 23, o compartilhamento de provas entre as instâncias foi considerado “razoável, adequado e pertinente“. Eduardo, que está em autoexílio nos Estados Unidos há cerca de um ano, também afirmou que não tem recebido salário como escrivão — citado por ele como “quase R$ 20 mil” — e mencionou contratos de R$ 129 milhões atribuídos, segundo sua narrativa, à mulher do ministro em um vínculo com o Master.

Contexto do processo e medidas anteriores

O caso se insere em uma sequência de decisões e acusações. Em julho de 2026 o próprio ministro Alexandre de Moraes já havia determinado o bloqueio de bens, contas bancárias e chaves Pix de Eduardo Bolsonaro no âmbito de um inquérito que apura suposta articulação para sanções dos Estados Unidos contra autoridades brasileiras. Na ocasião, a mulher de Eduardo relatou bloqueios semelhantes. Não está completamente claro se a postagem recente se refere a essa ordem anterior de julho de 2026 ou a nova medida.

Trâmite disciplinar na Polícia Federal

O episódio com as contas ocorre paralelamente ao andamento de um processo administrativo disciplinar na Polícia Federal que pode culminar na perda do cargo de escrivão. Eduardo teve o mandato de deputado cassado em dezembro de 2026 pela Mesa Diretora da Câmara, sob a justificativa de excesso de faltas. Em janeiro, a PF determinou seu retorno imediato ao posto em Angra dos Reis (RJ); como não se apresentou, a Corregedoria Regional no Rio abriu PAD por indícios de abandono de cargo e o afastou preventivamente em fevereiro. Em 16 de março a corporação publicou edital de citação no Diário Oficial da União concedendo 15 dias para defesa.

Riscos jurídicos e alegações de inelegibilidade

Eduardo afirmou temer que uma eventual condenação por improbidade administrativa o torne inelegível por oito anos, usando o caso da ex-presidenta Dilma Rousseff como contraponto público. Ele declarou que, se fosse considerado culpado por improbidade, ficaria inelegível por oito anos, e por isso defende que a intenção seria retirá-lo da vida política. No STF, Eduardo Bolsonaro responde também por acusação de coação no curso do processo, sob a alegação de que agiu nos Estados Unidos para pressionar o Judiciário brasileiro antes do julgamento relacionado à trama golpista envolvendo seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A defesa, por sua vez, alega que seus atos configuram liberdade de expressão.

Repercussões e desdobramentos internacionais

O episódio faz parte de um cenário mais amplo que incluiu sanções internacionais. O ministro Alexandre de Moraes chegou a ser alvo da Lei Magnitsky aplicada pelos Estados Unidos, com bloqueio de contas e proibição de emitir cartões; segundo relatos, essa sanção foi imposta em 30 de julho. Em reação, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) apresentou ao STF uma ação para impedir que bancos brasileiros replicassem medidas tomadas em Washington contra o magistrado.

PGR pede arquivamento da ação sobre replicação de sanções

A Procuradoria Geral da República se manifestou pedindo o arquivamento dessa ação depois que o governo Trump retirou as sanções sobre Moraes em 12 de dezembro do ano passado, devolvendo o acesso aos serviços financeiros. O procurador-geral entendeu que, diante da suspensão das sanções, a petição havia perdido o objeto e passou a ser desnecessário o exame de obstáculos remanescentes; o parecer foi enviado ao relator, o ministro Cristiano Zanin, para decisão sobre o arquivamento.

Interseção entre esfera nacional e atos estrangeiros

O caso evidencia a interação entre medidas nacionais, processos internos e implicações internacionais: decisões judiciais no Brasil, pedidos de medidas administrativas na Polícia Federal e a eventual influência de sanções externas criam um quadro complexo. A controvérsia sobre o bloqueio de contas — se novo ou repetição de ordem prévia — segue sem esclarecimento definitivo publicamente disponível, enquanto os processos no STF e na PF continuam a se desenrolar.

Em resumo, a narrativa pública de Eduardo Bolsonaro aponta para um conflito entre medidas judiciais e sua defesa por liberdade de expressão, com reflexos sobre sua situação funcional na Polícia Federal e possíveis efeitos eleitorais caso haja condenação por improbidade administrativa. As instâncias responsáveis devem definir nos próximos passos se tratou-se de nova ordem de bloqueio ou da continuidade de decisões já tomadas anteriormente.

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