Arthur Hayes, empreendedor conhecido por fundar a corretora BitMEX, publicou argumentos recentes que pintam o Bitcoin como um indicador precoce de tensões no sistema financeiro. Em suas palavras, o ativo funciona como um alarme de liquidez fiduciária, um sinal sensível às variações na oferta de crédito que, segundo ele, estaria emitindo avisos agora.
Hayes afirmou essas linhas em um texto divulgado nas redes sociais e no seu blog em 17 de fevereiro, retomado em análises no dia 18 de fevereiro de 2026.
No cerne da tese está a observação de uma divergência notável entre o comportamento do Bitcoin e o índice Nasdaq 100, composto em grande parte por empresas de tecnologia. Para Hayes, quando duas classes de ativos historicamente correlacionadas se separam, é legítimo investigar gatilhos potenciais — e sua hipótese principal envolve um choque de crédito decorrente da automação e da adoção massiva de inteligência artificial (IA).
Por que a divergência entre bitcoin e tecnologia importa
Hayes sustenta que a discrepância entre Bitcoin e ações de tecnologia funciona como um alerta de que condições de crédito estão se alterando. Em termos práticos, uma contração de crédito — ou deflação no sentido de menor disponibilidade de financiamento — pode reduzir preços de ativos e pressionar balanços bancários. Quando o crédito afrouxa, ativos de risco tendem a subir; quando aperta, a primeira reação pode recair sobre as empresas mais alavancadas, inclusive algumas gigantes de tecnologia.
O mecanismo proposto por Hayes
Segundo sua análise, a adoção acelerada de IA provocaria demissões em massa entre trabalhadores do conhecimento. A perda de renda geraria inadimplência em crédito ao consumidor e hipotecas, corroendo o patrimônio de bancos regionais mais fracos. Esse efeito em cadeia — menos consumo, mais perdas bancárias, fuga de depósitos — forçaria os reguladores monetários a intervir com políticas de liquidez.
Do choque de crédito à impressão de moeda: o papel do Federal Reserve
Hayes prevê que uma deterioração expressiva nos balanços levaria o Federal Reserve a acionar ferramentas de liquidez de grande alcance, semelhante ao afrouxamento quantitativo. Na visão dele, tais medidas fariam o preço do Bitcoin disparar, pois o ativo historicamente reage a expectativas de maior oferta monetária. Ainda assim, Hayes adverte sobre a janela temporal: esse processo pode demorar meses ou anos até que uma intervenção maciça se torne necessária, tornando a previsão operacionalmente desafiadora.
Riscos e recomendações práticas
Apesar de apontar para um potencial rali do Bitcoin em cenário de estímulos, Hayes enfatiza prudência: ele não recomenda o uso de alavancagem para tentar capturar movimentos especulativos. O argumento é que a incerteza sobre a velocidade e dimensão do choque torna estratégias alavancadas especialmente perigosas, e investidores devem priorizar gestão de risco e autonomia de custódia.
Alocações pessoais e previsões para altcoins
Além da visão macro, Hayes revelou escolhas de portfólio: sua gestora Maelstrom vem mantendo posições em Zcash (ZEC) e Hyperliquid (HYPE), duas criptomoedas que ele considera candidatas a valorização quando o banco central “piscar” e injetar liquidez. Hayes chegou a afirmar expectativas de ganhos significativos em HYPE até meados de 2026, embora ressalte que tais apostas são separadas de sua tese principal sobre Bitcoin como indicador de liquidez.
Seu relato mistura cenários de risco sistêmico e oportunidades de mercado, enquanto enfatiza cautela e gerenciamento de exposição.
Observadores e investidores interessados devem considerar não apenas a plausibilidade do cenário, mas também o tempo necessário para que ele se realize. Conforme Hayes mesmo reconhece, a ativação desse ciclo — da destruição de crédito à impressão de moeda — pode levar um período indeterminado, exigindo estratégia e disciplina por parte de quem acompanha o mercado de criptomoedas.
