Os dados nos contam uma história interessante: onde está a liquidez em criptoativos e quem a concentra. Quem ganha com essa centralização? E quais os riscos para investidores e para o mercado?
Relatórios setoriais e declarações de executivos mostram que a liquidez se concentra em poucos pontos.
No mercado peer-to-peer brasileiro e nas reservas de stablecoins em exchanges centralizadas, a Binance surge como o principal centro de concentração. A seguir, apresentamos os fatos, as cifras e as implicações.
O essencial: concentração e números
Uma análise do mercado P2P de bitcoin e criptomoedas no Brasil mapeou 1.641 anúncios ativos em nove plataformas. A capacidade de negociação agregada foi estimada em US$ 2,22 trilhões. Esse total representa a soma das ofertas listadas, não o volume executado num único momento.
Na prática, essa métrica indica a liquidez potencial disponível para negociação direta. Na minha experiência em Google, métricas declaradas pelas plataformas costumam superestimar liquidez imediata. Ainda assim, o número sinaliza um apetite relevante por negociações fora dos livros de ordens centralizados.
Quem domina o P2P
A pesquisa aponta uma forte concentração por fornecedor. A Binance responde por cerca de 45,1% das ofertas anunciadas nas plataformas mapeadas. Esse nível de participação facilita a execução, mas também aumenta riscos operacionais e de contágio caso ocorram choques na plataforma.
Reservas de stablecoins em CEXs: distribuição global
Em exchanges centralizadas, a concentração também é marcante. Um levantamento de provedores de dados indica que a Binance detém aproximadamente US$ 47,5 bilhões em reservas combinadas de USDT e USDC. Esse montante equivale a cerca de 65% do total desses dois tokens guardados em CEXs.
Outras corretoras mostram cifras bem menores: OKX com cerca de US$ 9,5 bilhões (≈13%), Coinbase com cerca de US$ 5,9 bilhões (≈8%) e Bybit com aproximadamente US$ 4 bilhões (≈6%). A composição da Binance é puxada pelo USDT (~US$ 42,3 bilhões) frente ao USDC (~US$ 5,2 bilhões).
Fluxos recentes e comportamento do capital
Relatórios sobre fluxos mostram desaceleração nas saídas de stablecoins de CEXs. No período mais recente, as retiradas somaram cerca de US$ 2 bilhões, abaixo de momentos de maior estresse, quando chegaram a US$ 8,4 bilhões. Analistas interpretam isso como uma consolidação do capital dentro do ecossistema, com parte dos recursos migrando para a Binance.
Por que isso importa? Porque concentração de reservas altera a dinâmica de risco. Indicadores on-chain e de risco seguem relativamente fracos, e um viés claramente otimista dependeria de aumento de reservas ou realocação para ativos de maior risco. O marketing hoje é uma ciência: sem sinal claro dos fluxos, a percepção de confiança não se fortalece.
Contexto institucional e impactos
Eventos institucionais também influenciam a dinâmica competitiva. A relação entre grandes players no passado incluiu investimentos e parcerias que mais tarde se transformaram em rivalidade. Registros públicos e declarações de executivos apontam para tensões que afetaram confiança e estratégia entre concorrentes. Essas movimentações têm efeitos sobre liquidez, preço e governança no setor.
Relatórios setoriais e declarações de executivos mostram que a liquidez se concentra em poucos pontos. No mercado peer-to-peer brasileiro e nas reservas de stablecoins em exchanges centralizadas, a Binance surge como o principal centro de concentração. A seguir, apresentamos os fatos, as cifras e as implicações.0
Relatórios setoriais e declarações de executivos mostram que a liquidez se concentra em poucos pontos. No mercado peer-to-peer brasileiro e nas reservas de stablecoins em exchanges centralizadas, a Binance surge como o principal centro de concentração. A seguir, apresentamos os fatos, as cifras e as implicações.1
