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Bilionário Stanley Druckenmiller aumenta aposta no Brasil via ETF e zera participação no Nubank — o que mudou?

Os números contam uma história clara: no trimestre encerrado em 31 de dezembro, o megainvestidor Stanley Druckenmiller aumentou a aposta no Brasil. Documentos entregues à SEC mostram que o Duquesne Family Office comprou cotas do iShares MSCI Brazil ETF (EWZ) e usou opções de compra (calls) para reforçar essa posição.

O que ele comprou, exatamente
– O formulário 13-F registra cerca de 3,6 milhões de cotas do EWZ, avaliadas em aproximadamente US$ 113 milhões em dezembro. Naquele momento, essa posição equivalia a algo em torno de 2,5% da carteira do gestor.

Por que o Brasil reapareceu no radar
– O ambiente foi favorável aos emergentes: dólar mais fraco e recuperação nos preços de commodities elevaram o apelo de mercados com forte exposição a petróleo e minério. No EWZ, empresas como Petrobras e Vale têm peso relevante — e quando seus preços sobem, o ETF tende a se beneficiar de forma pronunciada.

Estratégia: ETFs + opções = alavancagem com controle
– A combinação de compra direta de ETF e uso de calls sugere uma busca por alavancagem controlada. Em vez de aumentar exposição a uma única ação, Druckenmiller conquistou ganho de sensibilidade ao mercado brasileiro, preservando flexibilidade para ajustar as posições conforme a volatilidade.

Saída do Nubank e mudança de foco
– Ao mesmo tempo, o Duquesne zerou a posição em Nu Holdings (Nubank). A fintech segue no índice que o EWZ replica, mas saiu da carteira direta. Isso indica uma possível reavaliação do risco idiossincrático da empresa ou uma preferência por exposição mais ampla e menos concentrada em empresas ligadas a commodities.

Outras movimentações do trimestre
– O 13-F também aponta aumentos em ETFs americanos, como o Invesco S&P 500 Equal Weight e o Financial Select Sector SPDR Fund. Esses fundos costumam se beneficiar quando há rotação para fora das grandes empresas de tecnologia, favorecendo ações com peso mais equilibrado ou foco no setor financeiro.

O que investidores individuais podem tirar disso
– Há duas lições práticas: primeiro, ETFs são uma maneira eficiente de ganhar exposição regional ou setorial sem depender do desempenho de uma única empresa; segundo, o uso de derivativos, como calls, permite ajustar risco e alavancagem sem ampliar concentração em emissores específicos. Para quem acompanha gestores institucionais, movimentos assim também servem como sinal de que fatores macro (câmbio, matérias‑primas) estão influenciando decisões táticas.

Riscos a monitorar
– A exposição ao Brasil é sensível a variações do dólar, dos preços das commodities e a riscos políticos locais. Além disso, embora ETFs reduzam risco idiossincrático, eles carregam risco de mercado amplo — e opções podem amplificar ganhos e perdas se a direção do mercado se inverter.

Resumo rápido
– Druckenmiller reforçou exposição ao Brasil via EWZ (~3,6 milhões de cotas, ≈US$113M, ~2,5% do portfólio), complementando com calls; vendeu Nubank na carteira direta; e aumentou posições em ETFs americanos que favorecem uma rotação fora das big techs. Trata‑se de um reposicionamento tático alinhado a um cenário de dólar fraco e recuperação das commodities.