O gestor Stanley Druckenmiller voltou a chamar atenção do mercado ao ajustar posições na América Latina, segundo o formulário 13-F enviado à SEC. No trimestre encerrado em 31 de dezembro, o fundo reportou compras significativas do iShares MSCI Brazil ETF (EWZ), ao mesmo tempo em que reduziu drasticamente a exposição a ativos argentinos.
Essas movimentações se tornam relevantes no contexto de fluxos internacionais para a B3 e de uma rotação de carteiras em direção a mercados emergentes.
Documentos públicos e apurações de mercado indicam que a reestruturação envolveu também a completa saída de uma participação em ações de fintechs, alterando a composição setorial da carteira do fundo.
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O que os documentos mostram
De acordo com o relatório apresentado, Druckenmiller adquiriu aproximadamente 3,5 a 3,6 milhões de cotas do EWZ, posição avaliada em dezenas de milhões de dólares na data da declaração. O formulário 13-F detalha ainda a existência de opções de compra ligadas ao mesmo ETF, ampliando a exposição teórica do fundo ao índice brasileiro. Paralelamente, foi registrada a venda quase total de participações na Argentina, incluindo ações da YPF e cotas do ETF Global-X MSCI Argentina, movimentação cujo montante relatado alcançou centenas de milhões de dólares.
Estratégia e implicações
A operação pode ser interpretada como uma busca por diversificação geográfica e por ativos com potencial de recuperação diante da volatilidade global. Ao aumentar a posição em EWZ, o fundo optou por uma forma concentrada de exposição ao mercado brasileiro por meio de um exchange-traded fund, que agrega empresas de grande capitalização local. Ao mesmo tempo, a saída em ativos argentinos reduz riscos específicos daquele mercado.
Saída do Nubank e ajustes setoriais
O relatório também revela que a participação em Nubank foi zerada: o fundo deixou de registrar as cerca de 1,45 milhão de ações que possuía no trimestre anterior. Essa decisão coincide com uma realocação que diminui o peso de ativos ligados exclusivamente ao setor de tecnologia e às fintechs, enquanto reforça alocações em setores tradicionais via ETF. Nos EUA, a carteira foi calibrada com apostas no setor financeiro e industrial, além de posições em empresas de aviação e metalurgia.
Resultados e estimativas
Embora a data exata das compras e os preços pagos por opções não sejam públicos, estimativas de mercado com base na variação do EWZ desde o último dia declarado sugerem que a posição poderia ter gerado ganhos na ordem de dezenas de milhões de dólares. Relatórios apontam rendimento aproximado de US$ 50 milhões considerando apenas a movimentação no ETF, mas essa conta é indicativa e depende de fatores como preço de compra, custo das opções e eventuais ajustes posteriores à data do relatório.
Contexto histórico e interpretação
Stanley Druckenmiller construiu reputação global desde a criação da Duquesne Capital Management e por sua atuação no Quantum Fund de George Soros. A estratégia atual reafirma um padrão de aproveitar janelas táticas em mercados emergentes quando dimensões macro e geopolíticas tornam outras praças menos atraentes. A mudança de exposição da Argentina para o Brasil reflete uma combinação de busca por diversificação e análise de risco-país.
Para investidores e observadores, a operação serve como sinal de que players de grande porte estão realocando capital para o Brasil via mecanismos que combinam liquidez e diversificação, como os ETFs. Ainda assim, diferenças em valores reportados pelos documentos e estimativas públicas exigem cautela: números finais dependem de confirmação por meio de novas declarações e desdobramentos nos mercados.
