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BESS: o futuro do armazenamento de energia no Brasil e no mundo

Nos próximos anos, o conceito de BESS (Battery Energy Storage Systems) deverá se tornar um dos pilares centrais da discussão no setor elétrico. Com a queda acentuada dos custos das tecnologias de armazenamento e a crescente necessidade de integrar fontes de energia renováveis, como solar e eólica, o futuro da matriz energética parece promissor.

O que é BESS e por que é importante?

A sigla BESS refere-se a sistemas que utilizam baterias para armazenar energia elétrica.

Esses sistemas desempenham um papel crucial na estabilização da rede elétrica, pois permitem que a energia gerada em momentos de pico de produção, como durante dias ensolarados ou ventosos, seja armazenada e utilizada em períodos de maior demanda.

Essa flexibilidade é essencial, uma vez que a geração de energia renovável nem sempre coincide com o consumo. Assim, o uso de armazenamento de energia pode reduzir as perdas associadas ao fenômeno conhecido como curtailment, que se refere à limitação deliberada da produção de energia renovável para manter a estabilidade do sistema elétrico.

O desafio do curtailment

O curtailment é um dos grandes obstáculos enfrentados por operadores de sistemas elétricos ao integrar uma maior quantidade de energias renováveis. Em países que adotaram essas fontes de forma massiva, como a China, muitos projetos têm enfrentado taxas de curtailment que superam 20%, resultando em uma quantidade significativa de energia limpa sendo desperdiçada.

Por exemplo, no Brasil, entre e, estima-se que mais de 35 TWh tenham sido perdidos devido a cortes em usinas eólicas e solares. Essa energia seria suficiente para abastecer o país por semanas, evidenciando a necessidade urgente de uma solução que permita o armazenamento eficiente dessa energia.

Como as baterias podem resolver esses problemas?

As baterias atuam como um metrônomo que sincroniza a entrada das energias renováveis na rede elétrica. Quando utilizadas em larga escala, elas podem ajudar a equilibrar a produção e o consumo, permitindo que a energia gerada em excesso durante períodos de alta produção seja armazenada e utilizada em momentos de maior necessidade.

Na Califórnia, por exemplo, a adoção de sistemas BESS já demonstrou uma redução significativa nos desperdícios de energia. Essa abordagem não apenas melhora a eficiência do sistema, mas também contribui para a descarbonização da matriz energética.

O impacto econômico do armazenamento de energia

Com a crescente adoção de BESS, o cenário econômico para a energia renovável está mudando rapidamente. O custo das baterias sofreu uma queda acentuada, tornando os projetos de armazenamento financeiramente viáveis. Entre e, o preço dos sistemas de baterias caiu em até 72% na China e 63% nos Estados Unidos, gerando um ambiente propício para investimentos.

Além disso, a recente legislação conhecida como Inflation Reduction Act nos EUA criou incentivos fiscais que impulsionam projetos de armazenamento de energia, permitindo que sistemas de solar combinados com baterias se tornem competitivos em relação a fontes de energia tradicionais.

Desafios e perspectivas futuras

Apesar do avanço nas tecnologias de armazenamento, ainda existem desafios a serem superados. A dependência de materiais essenciais, como os componentes de baterias LFP, que são majoritariamente produzidos na China, levanta questões sobre segurança e sustentabilidade no fornecimento.

Para que a transição energética seja bem-sucedida, os países precisam diversificar suas cadeias de suprimento e investir em capacidade industrial local. Com o aumento da demanda por armazenagem de energia, a capacidade global de baterias deverá crescer, e a necessidade de superar gargalos tecnológicos e regulatórios será cada vez mais evidente.

O futuro da energia está intimamente ligado ao avanço dos sistemas de armazenamento. Com o BESS, a transição para uma matriz energética mais limpa e eficiente não é apenas uma aspiração ambiental, mas uma necessidade econômica.

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