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Bahrein busca resolução da ONU para proteger navegação no Estreito de Ormuz; veto chinês complica

O Conselho de Segurança das Nações Unidas adiou para a próxima semana a votação sobre um projeto de resolução apresentado pelo Bahrein que visa proteger o tráfego comercial no Estreito de Ormuz. A sessão dos 15 membros havia sido marcada para sexta-feira e depois transferida para sábado, mas diplomatas informaram que o pleito foi novamente postergado sem data definida.

Enquanto o Bahrein, que preside o conselho, tenta somar apoios, a China deixou claro que rejeita qualquer texto que autorize o uso da força.

A proposta inicial passou por mudanças significativas para acomodar resistências, sobretudo da Rússia e da China. O rascunho final autoriza “todos os meios defensivos necessários” para proteger a navegação por um período de pelo menos seis meses, mas removeu referências que poderiam ser interpretadas como obrigações mais amplas. O documento foi submetido ao procedimento de silêncio, que foi interrompido por vários Estados, e posteriormente o texto foi ‘colocado em azul’ — um termo da ONU que indica que o projeto está pronto para votação.

O que prevê o rascunho

Em linhas gerais, o esboço preparado pelo Bahrein busca autorizar medidas coordenadas para defender embarcações comerciais na região do Estreito de Ormuz. A redação final estabelece um período inicial de atuação de pelo menos seis meses e mantém a possibilidade de extensão “até que o Conselho decida de outra forma”. Em vez de impor ações obrigatórias, a versão suavizada procura um equilíbrio entre a necessidade de segurança marítima e as preocupações de Estados que temem uma escalada. Termos técnicos e de autoridade aparecem em destaque no texto, com definições operacionais relacionadas a quem poderia atuar e em que circunstâncias.

Procedimento de aprovação

O processo de aprovação no Conselho de Segurança exige pelo menos nove votos favoráveis e a ausência de veto por parte dos cinco membros permanentes: Reino Unido, China, França, Rússia e EUA. A colocação em “azul” indica que os redatores consideram o texto apto para votação, mas votos negativos ou vetos de um membro permanente podem bloquear a resolução. Diplomatas relataram que a China, a França e a Rússia interromperam o silêncio no procedimento, demonstrando que ainda há divergências sobre o alcance das autorizações.

Objeções e riscos de veto

A delegação da China na ONU, por meio de seu embaixador, manifestou oposição explícita a uma autorização que envolva o uso da força, argumentando que isso poderia legitimar ações militares e ampliar a escalada do conflito. A Rússia e outros Estados também exerceram pressão para alterar o texto, o que levou o Bahrein a retirar passagens mais contundentes. Enquanto isso, países do Golfo e aliados ocidentais, incluindo os EUA e o Reino Unido, têm apoiado a iniciativa governada pelo Bahrein, buscando uma resposta internacional coordenada.

Cenário diplomático

Fontes diplomáticas indicam que o Bahrein tem contado com o apoio de outras nações árabes do Golfo e de Washington para avançar com a resolução. O Reino Unido organizou uma reunião com mais de 40 países sobre medidas para reabrir e garantir a passagem segura pelo estreito. Ao mesmo tempo, a existência de opiniões divergentes entre membros permanentes cria um impasse: mesmo com nove votos, um veto de qualquer uma das potências com assento permanente anularia a decisão.

Impactos regionais e econômicos

O fechamento efetivo do Estreito de Ormuz após ataques recentes envolvendo os EUA e Israel contra o Irã no final de fevereiro elevou os preços do petróleo e forçou governos além do Golfo Pérsico a adotar medidas emergenciais para proteger o abastecimento energético. O Irã chegou a propor a cobrança de pedágios para navios que transitassem pela passagem, uma ideia condenada pelo Bahrein como “ilegal e imprudente”. Em resposta, o Conselho aprovou a resolução 2817 em 11 de março de 2026, pedindo que o Irã se abstivesse de fechar ou obstruir a navegação — demanda que, segundo Ancara e outras capitais, não foi cumprida.

Consequências práticas

O prolongamento da interrupção do tráfego em Ormuz pode gerar efeitos humanitários e econômicos globais, com custos adicionais no transporte marítimo e possíveis choques nos mercados de energia. Por isso, defensores da iniciativa do Bahrein argumentam que somente uma ação multilateral, amparada por estruturas legítimas como o Conselho de Segurança, pode restaurar a segurança e a previsibilidade no corredor marítimo. Críticos, por outro lado, alertam que qualquer autorização militar ampla teria o efeito contrário, aumentando o risco de confrontos diretos.

Com a votação empurrada para a próxima semana, a dinâmica entre os membros do conselho continuará a se definir nos bastidores, enquanto governantes e operadores marítimos acompanham de perto o desenlace. O desfecho dependerá tanto do desenho final do texto quanto da capacidade de converter apoios diplomáticos em votos efetivos sem provocar vetos dos membros permanentes.

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