A segunda edição da ANDTech consolidou-se como o principal ponto de encontro nacional para quem atua com tecnologia aplicada ao trânsito e à mobilidade. Realizado nos dias 09, 10 e 11 de março no Complexo Anhembi, em São Paulo, o evento concentrou debates sobre governança digital, segurança de dados e a incorporação de blockchain em processos administrativos.
A presença da Associação Nacional dos DETRANs indicou o interesse das instâncias públicas em evoluir práticas e promover interoperabilidade entre estados.
Este texto apresenta um panorama das discussões centrais, destacando propostas práticas, desafios regulatórios e as potenciais aplicações tecnológicas que foram apresentadas ao longo do encontro. Serão exploradas tanto as motivações institucionais quanto as implicações técnicas da adoção de blockchain no âmbito dos serviços de trânsito.
Por que a adoção de blockchain interessou os detrans
Durante a conferência, representantes da Associação Nacional dos DETRANs enfatizaram que a tecnologia surge como alternativa para aumentar a transparência e reduzir fraudes em processos como emissão de documentos, registro de veículos e histórico de infrações. O argumento central foi que o uso de ledgers distribuídos permite criar registros imutáveis e auditores independentes, reduzindo a dependência de sistemas centralizados. Para alguns palestrantes, a blockchain funciona como uma camada de confiança que complementa sistemas já existentes, sem necessariamente substituí-los.
Benefícios práticos e ganhos de eficiência
Entre os benefícios mencionados estiveram a simplificação de verificações entre órgãos, diminuição de litígios por documentação e a potencial automatização de rotinas por meio de smart contracts. Exemplos práticos discutidos incluíram a validação cruzada de histórico veicular entre estados e a integração de bases para acelerar transferências de propriedade. Esses casos foram apresentados como provas de conceito que buscam reduzir tempo e custos administrativos, além de melhorar a experiência do cidadão.
Preocupações e requisitos técnicos
Nem todas as questões foram vistas de forma otimista: gestores técnicos alertaram para os desafios relacionados à governança, escalabilidade e privacidade. A necessidade de definir padrões de interoperabilidade e políticas de retenção de dados foi destacada como fundamental para evitar fragmentação. Além disso, especialistas em segurança lembraram que a blockchain por si só não resolve todos os problemas de proteção de dados; controles de acesso e criptografia continuada são imprescindíveis.
Aspectos regulatórios e governança
Os painéis também abordaram o quadro regulatório necessário para a adoção em larga escala. Procuradores e advogados administrativos discutiram como adaptar normas existentes para acomodar registros distribuídos, mantendo conformidade com legislação de proteção de dados. Uma proposta recorrente foi a elaboração de guias técnicos e protocolos mínimos que permitam aos DETRANs testar soluções em ambientes controlados antes de ampliações estaduais ou nacionais.
Coordenação entre estados e padrões
Para que a tecnologia gere impacto real, especialistas destacaram a importância da coordenação entre unidades da federação. A criação de padrões comuns — tanto técnicos quanto administrativos — foi apontada como pré-requisito para que um mecanismo de validação entre bases funcione sem rupturas. A proposta incluiu a criação de fóruns permanentes de governança, compostos por representantes técnicos e jurídicos, para monitorar testes e validar métricas de desempenho.
Próximos passos e expectativas
Ao fim das apresentações, a Associação Nacional dos DETRANs indicou interesse em promover pilotos em curto prazo, colaborando com instituições de pesquisa e empresas de tecnologia. Espera-se que esses projetos-piloto avaliem custo-benefício, impacto na experiência do usuário e adequação regulatória. O evento, que ocorre em março, serviu como catalisador para que gestores públicos e fornecedores de tecnologia estabeleçam prioridades conjuntas.
Este relato preserva a informação essencial divulgada na conferência e contextualiza as linhas de ação sugeridas pelos participantes. A cobertura original foi publicada em 15/02/2026, e o encontro em março reforçou a tendência de modernização digital nos serviços públicos de trânsito.
