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21 agosto 2026

Assessoria de investimentos cresce fora de São Paulo e Rio de Janeiro

O mercado de assessoria de investimentos no Brasil está se expandindo para além dos tradicionais centros financeiros, com destaque para Santa Catarina e Goiás.

Assessoria de investimentos cresce fora de São Paulo e Rio de Janeiro

O cenário dos escritórios de assessoria de investimentos no Brasil está passando por uma transformação significativa. Enquanto São Paulo continua sendo o principal polo, outras regiões estão ganhando destaque, refletindo uma mudança na geografia do setor.

Dados recentes revelam que, embora São Paulo ainda concentre quase metade dos escritórios do país, o crescimento mais acelerado ocorreu em estados fora do eixo tradicional. Santa Catarina, por exemplo, mais que dobrou sua base desde 2015, enquanto Goiás registrou um aumento de 67%. Esses números são parte de um levantamento realizado por Francisco Amarante, superintendente da Associação Brasileira dos Assessores de Investimentos (ABAI), com base nos cadastros públicos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Novos polos de crescimento

O Rio de Janeiro, que historicamente ocupa a segunda posição no ranking, registrou uma queda de 18% no número de escritórios desde 2015. Em contraste, estados como Paraná e Distrito Federal apresentaram crescimentos de 37% e 36%, respectivamente. Essa redistribuição geográfica reflete a formação de riqueza em diferentes partes do país, especialmente em regiões com forte presença do agronegócio e novos polos de renda regional.

Além da expansão regional, a desconcentração também é observada no nível municipal. Barueri, na região metropolitana de São Paulo, triplicou o número de escritórios entre 2019 e 2026, passando de 16 para 48. Curitiba, Porto Alegre e Belo Horizonte também registraram aumentos significativos. Essa tendência é impulsionada, em parte, por fatores tributários, como a menor alíquota do Imposto Sobre Serviços (ISS) em Barueri em comparação com a capital paulista.

Transformação na estrutura do setor

Os escritórios de assessoria de investimentos no Brasil estão passando por uma transformação estrutural. O número médio de assessores por escritório aumentou de cerca de quatro para aproximadamente 19 entre 2012 e 2026. Essa mudança ocorre em um contexto de redução no número total de escritórios, que caiu de 1.960 em 2012 para 1.423 em julho de 2026. Apesar da diminuição no número de empresas, o contingente de assessores pessoa física atendido por essas estruturas é cerca de quatro vezes maior.

Francisco Amarante destaca que essa transformação está relacionada à consolidação e ao ganho de escala da atividade. Escritórios maiores podem distribuir despesas relacionadas a tecnologia, compliance, jurídico, marketing, treinamento e administração, tornando a operação mais eficiente. Além disso, a profissionalização da atividade, com maior ênfase em governança, controles internos e segurança da informação, também contribui para essa mudança.

Expansão da consultoria de valores mobiliários

A consultoria de valores mobiliários também está em expansão no Brasil. O número de consultores pessoa física cresceu entre 22% e 27% ao ano desde 2026, ultrapassando a marca de 2.433 registros em julho de 2026. Esse avanço ocorre em meio à maior transparência sobre remuneração e à expansão dos modelos de cobrança por taxa, conhecidos como fee-based.

O crescimento da consultoria reflete mudanças no perfil dos investidores, que estão se tornando mais sofisticados e demandando diferentes modelos de relacionamento e remuneração. Empresas de consultoria também mais do que dobraram em três anos e meio, saindo de 251 em 2026 para cerca de 549 registros ativos em julho de 2026. Apesar da velocidade de crescimento, a diferença de escala em relação à assessoria ainda é significativa.

Essas transformações indicam um mercado em evolução, com novas oportunidades e desafios para os profissionais do setor. A expansão para além dos tradicionais centros financeiros e a profissionalização das estruturas existentes são tendências que devem continuar moldando o futuro da assessoria e consultoria de investimentos no Brasil.

Autor

Bruno Costa