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Assembleia Geral da ONU aprova resolução em apoio à Ucrânia e repetição do apelo por cessar‑fogo

Em 24 Fev, a Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução que reafirma o apoio à Ucrânia, defendendo sua soberania e denunciando os ataques a civis e infraestruturas críticas. A medida, embora não vinculativa, tem peso político e foi votada em um momento simbólico: o quarto aniversário da invasão russa, tema que continuou a polarizar diplomacias ao redor do mundo.

O texto teve placar claro: 107 votos a favor, 12 contra e 51 abstenções. Entre os opositores estavam a Rússia, Belarus e o Sudão; entre os que se abstiveram figuram países como os Estados Unidos e a China. A votação funcionou como um termômetro da solidariedade internacional e também escancarou tensões sobre a estratégia diplomática para buscar uma solução.

Conteúdo da resolução e suas exigências

A resolução reafirma o “firme compromisso da Assembleia com a independência, unidade e integridade territorial da Ucrânia dentro de suas fronteiras internacionalmente reconhecidas”. Além disso, o texto exige um cessar‑fogo imediato, completo e incondicional, pede a troca integral de prisioneiros de guerra e defende a construção de uma paz que seja “abrangente, justa e duradoura” em conformidade com o direito internacional.

Por ser uma decisão da Assembleia Geral, a medida não cria obrigações legais diretas para os Estados, mas confere legitimidade política a demandas feitas por Kiev e seus apoiadores. Para muitos observadores, a resolução reforça princípios que têm sido reiterados desde o início do conflito.

Reações e motivações por trás das abstenções

Os 107 votos favoráveis sinalizaram robusto respaldo internacional, mas as 51 abstenções chamaram atenção: entre elas, os Estados Unidos optaram por não apoiar integralmente o texto. A vice‑embaixadora americana na ONU, Tammy Bruce, justificou a abstenção afirmando que, embora Washington apoie o apelo por um cessar‑fogo, certas formulações da resolução poderiam desviar negociações já em curso, em vez de fortalecer todas as vias diplomáticas possíveis rumo à paz.

Já a China evitou um voto favorável, posição que se combinou com críticas mútuas entre Pequim e Washington em debates posteriores. A diplomacia chinesa contestou acusações de que suas importações de petróleo russo e suas vendas de bens de dupla utilização ajudariam a sustentar a máquina de guerra de Moscou, descrevendo tais alegações como tentativas de criar divisões geopolíticas.

Postura da Rússia e argumentos apresentados

Do lado russo, o embaixador Vasily Nebenzya qualificou a resolução como uma manipulação desconectada da realidade e voltou a justificar a intervenção militar com argumentos já repetidos anteriormente: a necessidade de “desmilitarizar” a Ucrânia e a percepção de ameaça oriunda da expansão da Otan. Kiev e seus aliados, por sua vez, recusam essas justificativas, acusando Moscou de tentar justificar uma apropriação de território.

O papel do Conselho de Segurança e o impasse com veto

Enquanto a Assembleia Geral conseguia aprovar o texto, o Conselho de Segurança permanece bloqueado: a presença do direito de veto da Rússia impede a adoção de medidas coercitivas pela instância de 15 membros. Esse impasse foi destacado pelo secretário‑geral da ONU, António Guterres, que classificou a guerra como “uma mancha na consciência coletiva” e reiterou apelos por um cessar‑fogo imediato.

Em sessão subsequente, o Conselho testemunhou confronto direto entre representantes dos Estados Unidos e da China sobre as responsabilidades no financiamento e no abastecimento que permitiriam à Rússia prosseguir operações militares. A tensão ilustra como a discussão sobre a guerra extrapola o palco europeu e se insere em rivalidades estratégicas globais.

Perspectivas e próximos passos

A resolução aprovada pela Assembleia Geral funciona hoje como um instrumento de pressão diplomática, reforçando o respaldo internacional a Kiev e elevando o custo político de qualquer tentativa de fragmentar o país. No entanto, sem vias de implementação imediata no Conselho de Segurança, o documento tende a produzir efeitos mais simbólicos do que práticos no curto prazo.

Para especialistas, a próxima fase dependerá da dinâmica das negociações bilaterais e multilaterais, da evolução do apoio material a cada lado e da capacidade das potências de alinhar discursos com ações concretas que abram espaço para um processo de paz sustentado.