Em um cenário de perdas generalizadas no mercado cripto, alguns ativos se destacam positivamente. Enquanto o bitcoin acumula queda de 23,70% no ano, a Hyperliquid (HYPE) surpreende com alta de 185%. Essa divergência reflete o momento atual do mercado, marcado por saídas recordes dos ETFs de Bitcoin nos Estados Unidos e um cenário macroeconômico desafiador.
Para os especialistas consultados, o foco deve estar em ativos com infraestrutura consolidada, utilidade real e menor dependência de ciclos especulativos. Confira as seis criptomoedas mais recomendadas para junho de 2026 pelas principais exchanges e casas de análise do País.
Bitcoin (BTC): O ativo mais indicado
Mesmo em queda no curto prazo, o Bitcoin segue como o ativo mais indicado entre os especialistas, empatado com o Ethereum em número de recomendações. A lógica é defensiva: em momentos de correção, o Bitcoin tende a cair menos que as demais criptomoedas e, quando o mercado se recupera, costuma ser o primeiro a atrair grandes investidores.
O Bitcoin continua sendo o principal ativo a acompanhar, afirmou Vinicius Bazan, embaixador da OKX, destacando sua relevância para quem quer acumular a criptomoeda de forma gradual e consistente, especialmente com horizonte de longo prazo.
Para junho, os analistas apontam a reunião do banco central americano (Fed) sob o novo presidente Kevin Warsh, marcada para os dias 16 e 17, como o principal evento do mês para o ativo, já que qualquer sinalização sobre os juros tende a impactar diretamente o mercado cripto.
Ethereum (ETH): A plataforma essencial
O Ethereum (ETH) é a segunda maior criptomoeda do mundo e funciona como a principal plataforma para outros projetos e aplicações financeiras digitais. André Franco, CEO da Boost Research, destaca que uma recuperação mais ampla do mercado cripto tende a passar pelo Ethereum antes de chegar às demais moedas.
A rede concentra grande parte das transações em finanças descentralizadas, emissão de stablecoins e tokenização de ativos do mundo real, que é a representação digital de bens físicos ou financeiros em blockchain.
Para junho, a MEXC aponta uma atualização técnica da rede, chamada Glamsterdam, como possível catalisador, embora sua implementação possa ser adiada do prazo inicialmente previsto para meados do ano ao terceiro trimestre.
Hyperliquid (HYPE): O destaque positivo
O token da Hyperliquid (HYPE) é o único ativo entre os seis recomendados que acumula ganhos expressivos no ano, com alta de 185% até esta quarta-feira. A Hyperliquid é uma plataforma descentralizada de negociação de contratos financeiros, que funciona de forma semelhante a uma corretora tradicional, mas sem intermediários e com todas as operações registradas publicamente em blockchain.
Valter Rebelo, analista da Empiricus, destaca o crescimento da negociação de commodities, como petróleo e metais, na plataforma como um vetor adicional. A proposta não é cripto entrando no mercado tradicional, é o mercado tradicional migrando para infraestrutura cripto porque ela resolve um problema que os sistemas legados não conseguem mais ignorar, afirmou Rebelo.
Em junho, o lançamento de um fundo de investimento negociado em bolsa focado no HYPE, pela gestora Bitwise na NYSE, abre um canal regulado de acesso ao ativo e reforça o interesse institucional.
Outras recomendações
Solana (SOL): Velocidade e eficiência
A Solana (SOL) é uma das principais redes de blockchain do mercado e se destaca pela capacidade de processar um grande volume de transações com rapidez e custos baixos. Francis Wagner, head de criptomoedas da Hurst Capital, aponta esses fundamentos como base para manter a recomendação.
Para junho, o principal catalisador técnico é o Alpenglow, uma atualização da rede que entrou em fase de testes em maio e promete tornar as confirmações de transações ainda mais rápidas, chegando a entre 100 e 150 milissegundos em condições favoráveis.
Avalanche (AVAX): Soluções personalizadas
A Avalanche (AVAX) é uma rede de blockchain voltada principalmente para empresas e instituições financeiras que precisam de soluções personalizadas. Sua principal característica técnica são as subnets, que funcionam como redes independentes dentro da Avalanche, permitindo que cada projeto defina suas próprias regras de funcionamento e conformidade regulatória.
Julián Colombo, diretor sênior de políticas públicas e estratégia para a América do Sul na Bitso, aponta esse modelo como diferencial em um momento em que regulação e conformidade se tornam cada vez mais relevantes para projetos que buscam operar dentro das normas.
Chainlink (LINK): A ponte confiável
O Chainlink (LINK) é um protocolo que resolve um problema específico do mercado cripto: contratos inteligentes em blockchain não conseguem, por si só, acessar informações do mundo real. O Chainlink funciona como uma ponte confiável entre essas duas realidades, sendo essencial para o funcionamento de aplicações financeiras mais sofisticadas.
André Sprone, head de Ibero-América da MEXC, cita como exemplo recente a BridgeTower, que anunciou em abril a tokenização de mais de US$ 11 bilhões em ativos usando a infraestrutura da Chainlink. Se o debate regulatório nos Estados Unidos avançar e as regras para ativos digitais ficarem mais claras, o LINK tende a se beneficiar diretamente.
