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anbima sugere mudança em regra do bc para limitar impacto da volatilidade do bitcoin

A Anbima encaminhou ao Banco Central uma sugestão técnica para ajustar a forma como instituições são penalizadas quando mantêm exposição a criptoativos, especialmente aqueles de alta volatilidade como o Bitcoin. A recomendação responde à Consulta Pública n.º 126/2026 do BC, que estabelece critérios prudenciais para classificação de ativos virtuais, exigência de capital e limites de exposição. A proposta visa reduzir o risco de reclassificações automáticas que decorrem apenas de flutuações de preço, preservando a estabilidade do sistema sem tolher a inovação.

Problema central: volatilidade que vira penalidade

O ponto criticado pela Anbima é o efeito cabal do artigo 19 da minuta do BC: se a participação de criptoativos atribuída ao Grupo 2 ultrapassar 1% do capital principal, toda a carteira é automaticamente migrada para o Subgrupo 2B, o que implica exigências de capital significativamente maiores. Na prática, uma valorização espontânea do preço do bitcoin pode empurrar uma instituição de 0,99% para 1,04% sem qualquer nova compra deliberada. Essa sequência transforma uma variação de mercado em um risco regulatório imediato, obrigando bancos a aumentarem provisões ou a reduzirem exposição por motivos estritamente prudenciais.

A proposta da anbima

A solução sugerida pela entidade é relativamente técnica, mas de efeito prático claro: substituir a reclassificação integral por um modelo de dois gatilhos. Segundo a Anbima, apenas a parcela que ultrapassar o limite de 1% deveria ser tratada como de maior risco, com migração total da posição para o Subgrupo 2B ocorrendo somente se a exposição exceder 2% do capital. Assim, oscilações normais de mercado teriam impacto limitado e previsível, em vez de provocar um salto abrupto na necessidade de capital, que hoje é calculada por um fator multiplicador elevado (RWA2B, equivalente a multiplicador de 12,5).

Exemplo ilustrativo

Imagine uma instituição que originalmente alocou 0,99% do capital em bitcoin quando o ativo estava em determinado patamar. Com uma valorização de 5%, a posição passaria a representar 1,04% do capital sem qualquer compra adicional. Pelo modelo atual do BC, toda a posição seria reclasificada para 2B, elevando drasticamente a exigência de capital. Pelo modelo sugerido pela Anbima, somente os 0,04% excedentes seriam tratados como 2B, preservando a classificação da parcela inicial e evitando uma exigência desproporcional.

Impactos práticos e argumentos da entidade

Para a Anbima, a mudança não busca incentivar maior exposição a criptoativos nem reduzir salvaguardas; o objetivo declarado é previsibilidade regulatória. Ao evitar que a volatilidade intrínseca desses ativos se transforme automaticamente em penalidade, as instituições poderiam planejar alocações de maneira mais racional, sem decisões guiadas por reações a movimentos de preço pontuais. A entidade também argumenta que a proposta alinha o Brasil a melhores práticas internacionais, mantendo salvaguardas prudenciais sem gerar efeitos colaterais que distorçam decisões econômicas.

Considerações sobre custo de capital

Atualmente, mesmo a inclusão no Subgrupo 2A já impõe custos de capital elevados, e a migração para o 2B aumenta esse peso de forma exponencial — cada real investido pode corresponder a dezenas de reais em capital requerido, dependendo da metodologia aplicada. Isso limita a utilidade do ativo em tesouraria e desencoraja uso estratégico de reservas em empresas reguladas. A proposta da Anbima busca mitigar esse efeito sem abrir mão da prudência.

Contexto regulatório e próximos passos

A proposta integra a discussão aberta pelo BC na Consulta Pública n.º 126/2026, cujo objetivo é atualizar o arcabouço prudencial diante da expansão das tecnologias de registro distribuído e das finanças descentralizadas. O Banco Central justifica a iniciativa pela necessidade de cumprir recomendações internacionais e ampliar transparência das normas. A Anbima enviou sua contribuição técnica antes do prazo final para envio de contribuições, e o diálogo entre regulador e mercado deve seguir nos trâmites previstos.

Embora a minuta do BC deixe claro que não pretende proibir exposição a Bitcoin, a atual fórmula torna custoso qualquer plano de manter reservas relevantes do ativo dentro do sistema financeiro regulado. A sugestão da Anbima pode reduzir esse custo regulatório indesejado, mantendo controles e limites claros, e garantindo que oscilações de mercado não se transformem em choques prudenciais automáticos.

proposta da anbima altera gatilhos para classificacao prudencial de criptoativos 1771109717

Proposta da Anbima altera gatilhos para classificação prudencial de criptoativos