Quem domina as reservas de stablecoins nas exchanges centralizadas? A resposta, segundo relatórios on‑chain de 19 de fevereiro de 2026, é clara: a Binance. As análises da CryptoQuant e da Arkham Intelligence mostram que a exchange concentra mais de 65% dessas reservas, um nível de concentração que muda a dinâmica do mercado.
O tamanho da carteira
A Binance detém cerca de US$ 47,5 bilhões em reservas de stablecoins nas plataformas centralizadas — mais da metade do total entre os maiores players.
Deste montante, aproximadamente US$ 42,3 bilhões estão em USDT, um salto de cerca de 36% em relação ao ano anterior. Os USDC somam perto de US$ 5,2 bilhões, praticamente estáveis na comparação anual. No conjunto, as reservas da exchange cresceram cerca de 31% em doze meses, segundo as mesmas fontes.
Como isso se compara aos concorrentes
Para dimensionar: o saldo da Binance é cerca de cinco vezes o da segunda maior exchange, oito vezes o da terceira e quase doze vezes o da quarta. Essas três rivais, somadas, representam cerca de 27% do total — cerca de US$ 19,4 bilhões — enquanto a Binance sozinha fica com a maior fatia.
Impacto sobre a operação do mercado
Concentração elevada de liquidez altera o jogo para traders institucionais. Grandes ordens costumam enfrentar menos slippage em livros de ordens profundos; isso reduz custos de execução e atrai mais volume. Em outras palavras, a plataforma se beneficia de um ciclo virtuoso: mais liquidez gera mais confiança, o que por sua vez traz ainda mais liquidez.
O ecossistema de stablecoins e a redistribuição de ativos
Embora o mercado total de stablecoins tenha se mantido relativamente estável em torno de US$ 160 bilhões, houve uma redistribuição interna: uma parcela cada vez maior desses ativos migrou para a Binance. Em momentos de turbulência macro, investidores tendem a concentrar posições onde enxergam maior profundidade e segurança — e os números confirmam esse comportamento.
Medidas para reforçar confiança institucional
A Binance também tomou decisões com foco institucional. Parte do fundo de proteção SAFU foi convertida em cerca de 15.000 BTC, avaliada em torno de US$ 1 bilhão, e a exchange firmou parcerias com players tradicionais — incluindo iniciativas com a franklin templeton para garantias baseadas em cotas tokenizadas de fundos de mercado monetário. Essas ações funcionam como sinalizadores: reservas transparentes e contrapartes reconhecidas tornam a plataforma mais atraente para capital qualificado.
Uma observação prática
Na minha experiência em grandes empresas de tecnologia, iniciativas desse tipo costumam surtir efeito. Criatividade sem métricas não convence; já decisões acompanhadas de reservas claras e medidas mensuráveis tendem a atrair fluxos institucionais.
Riscos e cenários futuros
O poder de fogo da Binance também atrai um outro tipo de atenção: regulatória. À medida que legislações e debates sobre regulação avançam, a liderança da exchange a coloca sob maior escrutínio. Cumprir futuros requisitos de liquidez e solvência pode virar vantagem competitiva — mas, simultaneamente, maior exposição torna a plataforma alvo de fiscalização por autoridades e observação por parte de participantes do mercado.
A forma como exchanges gerenciam reservas, transparência e parcerias será decisiva para definir vencedores e perdedores no ecossistema cripto.
