Em entrevista concedida a jornalistas no dia 2 de abril de 2026, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), reforçou a ideia de que o ajuste fiscal deve ser encarado como uma prática contínua. Para ele, a administração das contas públicas não é um evento com início e fim, mas um esforço diário para equilibrar prioridades e reduzir desperdícios.
Nesse diálogo, Alckmin distinguiu o alvo das medidas: segundo o vice-presidente, o governo tem de evitar impactar os mais vulneráveis, concentrando cortes em privilégios e desperdício.
Ao explicar o conceito, ele usou uma imagem para ilustrar o caráter repetitivo desse trabalho: aparar excessos regularmente é parte da rotina de gestão fiscal.
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Por que o ajuste tem de ser contínuo
Alckmin ressaltou que o ajuste fiscal não é uma tarefa pontual, mas um processo que exige revisão e disciplina permanentes. Ao apresentar sua visão, o vice-presidente destacou a necessidade de fazer mais com menos recursos, priorizando eficiência na alocação de verbas públicas. Essa abordagem, segundo ele, ajuda a proteger programas sociais e a manter investimentos essenciais sem aumentar a carga sobre os segmentos mais pobres.
Foco em privilégios e desperdício
Em lugar de ampliar a pressão tributária sobre populações vulneráveis, Alckmin propôs mirar cortes e reformas em áreas que representam gastos supérfluos ou benefícios concentrados em poucos. Para ele, esse direcionamento é compatível com a preservação da coesão social e com a manutenção de políticas que favoreçam a recuperação econômica.
A defesa da chamada “taxa das blusinhas”
Na mesma conversa, o vice-presidente abordou a polêmica taxa das blusinhas, tributo federal aplicado sobre compras internacionais online de pequeno valor até US$ 50. Alckmin afirmou ter sido defensor da medida no passado, argumentando que sua finalidade é proteger o emprego e a renda da população ligada à indústria de confecção.
Contexto e argumento econômico
Alckmin lembrou que a norma, aprovada pelo Congresso e sancionada pelo presidente Lula em 2026, busca reduzir a discrepância tributária entre produtos importados e aqueles fabricados no país. Segundo ele, um produto nacional pode sofrer alíquotas na faixa de 45% a quase 50%, enquanto itens importados de valor reduzido acabam suportando carga menor, em torno de 30%, segundo suas observações. Para o vice-presidente, a medida atua como mecanismo de lealdade concorrencial.
Impacto no setor têxtil e no debate eleitoral
Ao justificar a posição, Alckmin citou números ligados ao mercado de trabalho na indústria têxtil: segundo suas declarações, houve cerca de 6 mil contratações em 2026 e aproximadamente 30 mil contratações no ano passado. Ele usou esses dados como indício de que a preservação da atividade do setor tem efeito direto sobre o emprego formal.
Perspectiva política
Questionado sobre possíveis estudos para reduzir a taxa diante da proximidade das eleições, Alckmin disse não estar diretamente envolvido nas tratativas atuais, mas reiterou que já defendeu a medida anteriormente por entender que ela contribui para a proteção da indústria nacional. O vice-presidente evitou detalhar propostas específicas, reiterando que as decisões devem equilibrar proteção do emprego e justiça tributária.
Considerações finais
Em resumo, a posição apresentada por Alckmin em 2 de abril de 2026 foi a de que o país precisa institucionalizar um processo permanente de ajuste fiscal, com prioridade para a eliminação de privilégios e do desperdício, e que medidas como a taxa das blusinhas fazem parte desse conjunto de ferramentas destinadas a proteger a indústria, o emprego e a lealdade concorrencial. A fala reforça o tom de busca por eficiência fiscal sem transferir o ônus para as camadas mais pobres da população.
