A recente movimentação política envolvendo o ator Dado Dolabella provocou reação contundente da ala feminina do partido. Em nota pública, o MDB Mulher manifestou surpresa e indignação com a filiação do artista e o lançamento de sua pré-candidatura a deputado federal pelo Estado do Rio de Janeiro, referindo-se aos antecedentes que já são de conhecimento público.
O anúncio da entrada de Dolabella no partido foi feito em um vídeo divulgado pelo presidente estadual da legenda, Washington Reis, ex-prefeito de Duque de Caxias. Depois da repercussão, essa gravação foi removida da página oficial do emedebista. A reação das lideranças femininas trouxe à tona preocupações sobre imagem do partido e a percepção pública diante de acusações e decisões judiciais envolvendo o ator.
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Reação do MDB Mulher e argumentos da nota
No comunicado oficial, a presidente nacional da ala feminina, Kátia Lôbo, descreveu a filiação como motivo de “estarrecimento, surpresa e repúdio”. A nota destacou que a chegada de uma figura com histórico de denúncias de violência contra mulheres é incompatível com a mensagem que o grupo pretende transmitir, especialmente em um período marcado por atenção às pautas de gênero. O texto também apontou o episódio como um momento extremamente delicado e grave para o partido.
Contexto simbólico e preocupação pública
A preocupação expressa pela ala feminina não se limitou à biografia do filiado: a nota citou o aumento dos registros de violência contra a mulher e os casos de feminicídio como pano de fundo para a crítica. Para as líderes do grupo, a filiação de alguém com esse histórico contraria os esforços de promoção de igualdade e proteção às vítimas, minando a credibilidade política sob os olhos da sociedade.
Como foi o anúncio e resposta de Dolabella
No vídeo original de divulgação, Washington Reis apresentou Dolabella como “um ator de televisão, pai de família” e alguém comprometido com valores familiares e sociais. A postagem, porém, acabou sendo deletada após críticas. No dia seguinte à divulgação da filiação, o próprio Dolabella publicou uma gravação afirmando que ingressou na política por ter vivido “na pele o que é ser injustiçado” e reafirmando posições públicas.
Alinhamentos políticos e plataformas
Na mesma declaração, Dolabella declarou apoio ao senador Flávio Bolsonaro como candidato à presidência da República, explicando que suas propostas sobre fortalecimento das famílias, combate à criminalidade e mudanças legislativas estariam em consonância com suas ideias. Em sua fala, o ator disse que pretende “defender quem não tem voz”, colocando esse posicionamento como justificativa para sua entrada no cenário público eleitoral.
Antecedentes judiciais e repercussão
As críticas do MDB Mulher e a repercussão negativa remetem aos registros judiciais do artista. No ano anterior, Dolabella foi condenado pela Justiça do Rio de Janeiro a 2 anos e 4 meses de detenção, em regime aberto, por agressões contra a ex-namorada Marina Dolabella, também sua prima, durante um episódio ocorrido em 2026. Essa sentença compõe o histórico que motivou o posicionamento do grupo feminino do partido.
Além dessa condenação, há outros episódios anteriores: em 2018, Dolabella foi condenado por injúria contra a ex-mulher Viviane Sarahyba, cumprindo pena em regime aberto por 2 meses e quinze dias. Em 2008, houve denúncia de agressão por parte da atriz Luana Piovani, caso que foi investigado e arquivado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro em julho de 2013, sem condenação.
Implicações internas e próximas movimentações
A controvérsia também expõe dinâmicas internas do MDB no Estado: recentemente, Washington Reis indicou sua irmã, Jane Reis, para ocupar a vice na chapa do prefeito Eduardo Paes (PSD) na disputa pelo governo estadual. Essa articulação se soma ao debate sobre vetos e escolhas de candidatos, sobretudo quando há repercussão pública negativa e risco de desgaste eleitoral para a legenda.
Enquanto o partido avalia o impacto político, a nota do MDB Mulher já circula como sinal claro de resistência interna a escolhas que possam conflitar com a defesa dos direitos das mulheres. O episódio segue em desenvolvimento, com possibilidade de novos posicionamentos públicos e decisões formais por parte das instâncias do partido.
