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Ação coletiva acusa Circle de omissão após furto de USDC no Drift

Um investidor americano entrou com uma ação contra a Circle, emissora da stablecoin USDC, após perder aproximadamente US$ 23.500 em um ataque que afetou a corretora descentralizada Drift Protocol. A petição, parte de um processo coletivo, sustenta que a empresa dispunha de meios técnicos para congelar os ativos usados pelos criminosos mas optou por não agir, permitindo que grandes quantias migrassem entre redes.

O episódio voltou a colocar no centro do debate a tensão entre controle centralizado e velocidade das redes blockchain: enquanto emissores como a Circle afirmam seguir procedimentos legais, críticos alegam que a demora facilita a lavagem de recursos digitais.

A discussão também contrapõe a postura da Tether, que em casos anteriores bloqueou endereços rapidamente.

Como ocorreu o ataque e por que o bloqueio importava

No ataque ao Drift Protocol, os invasores primeiro trocaram ativos por USDC e, ao longo de aproximadamente oito horas, usaram mecanismos de ponte para migrar esses tokens entre redes. Segundo a ação, os hackers utilizaram o CCTP da Circle para mover USDC de Solana para a versão baseada em Ethereum, antes de converter os saldos em Ether (ETH), o que tornou a recuperação muito mais difícil.

É importante distinguir conceitos: a stablecoin é um token projetado para manter paridade com moedas fiduciárias, e a CCTP é um exemplo de protocolo de transferência entre cadeias que facilita movimentações cross-chain. Diferentemente de moedas puramente descentralizadas, algumas stablecoins incorporam controles em seus contratos que permitem blacklist ou congelamento de endereços, recurso que, se acionado a tempo, pode interromper fluxos suspeitos.

O que a ação judicial alega

No processo, apresentado por Joshua McCollum, os advogados argumentam que a Circle foi alertada por múltiplos perfis e pela própria Drift Protocol sobre a movimentação de fundos, mas não tomou medidas rápidas para impedir a lavagem. A petição cita incidentes anteriores em que a Circle teria congelado saldos de empresas e plataformas, e contrasta esses casos com a inação no evento em questão.

A ação também incorpora alegações públicas de rastreadores de blockchain, como ZachXBT, que atribuem a saída de mais de US$ 420 milhões a falhas percebidas na resposta da Circle desde 2026. Apesar de McCollum ter perdido uma quantia individual relativamente pequena, o processo corre em caráter coletivo, buscando compensação para todos os usuários afetados pelo ataque.

Reivindicações e pedidos do autor

Os queixosos pedem que o tribunal reconheça negligência por parte da emissora e determine indenizações cujos valores serão apurados em juízo. A peça processual sustenta que a capacidade técnica para congelar ou blacklistar endereços existia e que a falta de ação foi a causa direta das perdas dos investidores, abrindo caminho para debates sobre responsabilidade de emissores de stablecoin em incidentes de segurança.

Resposta da Circle e implicações regulatórias

Em resposta pública, o CEO Jeremy Allaire afirmou que a Circle só executa congelamentos mediante ordem de autoridade competente, citando a necessidade de obedecer ao Estado de direito. Em declarações durante viagem à Coreia do Sul, ele defendeu que decisões desse tipo não devem ficar ao arbítrio de uma empresa em meio à crise, e destacou iniciativas legislativas buscando um safe harbor que permita ações emergenciais quando previstas em lei.

O comentário de Allaire intensifica o debate entre duas visões: por um lado, a exigência de due process e limites legais para evitar poderes discricionários; por outro, a crítica de que processos judiciais lentos não acompanham a velocidade das transferências blockchain, criando janelas exploráveis por atacantes. Especialistas também alertam que dar poder irrestrito a emissores pode minar a confiança em ecossistemas DeFi.

Consequências para usuários e mercado

Além do litígio, o caso deve atrair atenção de reguladores e empresas do setor. A Circle abriu capital em junho de 2026, e suas ações têm mostrado volatilidade desde então, refletindo incertezas sobre governança e supervisão. Para usuários, o episódio reaviva a necessidade de melhores protocolos de segurança, respostas coordenadas entre plataformas e clareza regulatória sobre quem pode e quando deve interromper fluxos de fundos suspeitos.

Em suma, a disputa entre o direito processual, a agilidade técnica e a confiança do mercado segue em evidência: o resultado do processo e eventuais mudanças legais podem redefinir responsabilidades dos emissores de stablecoin e o equilíbrio entre prevenção de ilícitos e preservação de princípios descentralizados.

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