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9 outubro 2026

Renda fixa e FIDCs concentram a maior parte dos aportes em 2024

Renda fixa e FIDCs dominam a captação de recursos, enquanto fundos de ações sofrem resgates.

Renda fixa e FIDCs concentram a maior parte dos aportes em 2024

Em um cenário onde a política monetária ainda mantém a taxa Selic em patamares elevados, os investidores nacionais têm buscado refúgio nos produtos de menor volatilidade. O ambiente de juros altos favoreceu, nos últimos meses, a migração de recursos para veículos de renda fixa que apresentam retornos mais previsíveis diante da incerteza macroeconômica.

Captação de fundos até setembro de 2024

De acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), os fundos de renda fixa somaram R$ 136 bilhões em novos aportes no período de janeiro a setembro. Na sequência, os fundos de direitos creditórios (FIDCs) alcançaram R$ 56 bilhões, impulsionados pela compra de duplicatas, faturas de cartão e outros recebíveis. Os ETFs negociados em bolsa captaram R$ 42,5 bilhões, enquanto os fundos de investimento em participações (FIPs) recolheram R$ 39,1 bilhões. Por fim, os Fiagros, voltados ao agronegócio, atraíram quase R$ 10 bilhões.

Desempenho dos demais segmentos

Ao mesmo tempo, os fundos ligados à renda variável apresentaram forte saída de recursos: as categorias de ações e multimercados registraram resgates líquidos de R$ 10,9 bilhões e R$ 9,3 bilhões, respectivamente. Os fundos de previdência também sofreram pressão, acumulando R$ 12,4 bilhões em resgates, reflexo de alterações regulatórias que limitaram aportes exclusivos e introduziram IOF sobre contribuições mensais superiores a R$ 50 mil. No total, a captação de recursos nos fundos chegou a R$ 251,7 bilhões, 61% acima do mesmo período do ano anterior, apenas atrás dos recordes de 2024.

Rentabilidade e perspectivas de retorno

Em termos de retorno, os fundos de renda fixa com maior duração (títulos de longo prazo) registraram ganhos de 10,5% no ano, equiparando-se ao CDI. Já os fundos de crédito livre tiveram desempenho mais modesto, 8,3% ao ano, reduzindo a média setorial para 8,7%. Os multimercados renderam em torno de 7,0%, com destaque para os fundos livres que alcançaram 8,2%. No exterior, a performance ficou em 4,4%.

Expansão dos FIDCs e nova classificação regulatória

Com o crescimento acelerado, os FIDCs chegaram a R$ 819 bilhões em patrimônio ao fim de setembro, 8,7% acima de outubro do ano passado, e o número de carteiras subiu 8,7%, totalizando 4.270 fundos. A Anbima está preparando uma proposta de reclassificação que deve entrar em fase de audiência pública ainda este mês. Atualmente, os FIDCs se dividem em quatro categorias – fomento mercantil, financeiro, agronegócio e “outros” – porém a maior parte está enquadrada como “outros”, o que dificulta a transparência. A nova proposta sugere agrupar os fundos pelo tipo de direito creditório (consignado, educacional, saúde, imobiliário, entre outros) e acrescentar atributos como concentração de devedor, natureza física ou jurídica, nível de subordinação e classificação de risco.

A implementação das regras está prevista para janeiro de 2025 nos fundos recém criados, com prazo de adequação em duas etapas para os existentes – metade até abril e o restante até junho. Essa medida, aliada ao guia de avaliação e provisão para créditos inadimplentes, deve melhorar a compreensão do risco pelos investidores e possibilitar à Anbima um monitoramento mais preciso do setor.

Impacto da trajetória dos juros

Desde março, o Banco Central reduziu a Selic de 15% para 13,75% ao ano, e as projeções do mercado apontam para novas quedas, o que já provocou a reprecificação da curva de juros. Em títulos do Tesouro Direto, os papéis IPCA+ deixaram de oferecer remunerações reais entre 7% e 8% para patamares próximos a 6%. Contudo, papéis privados que ainda pagam taxas acima da média – como o CRI do Assaí (IPCA+ 9,46%) ou a debênture da Origem Energia (16,5% prefixado) – continuam atraindo investidores com perfil arrojado, dado o prêmio de risco associado.

Em síntese, enquanto a renda fixa tradicional e os FIDCs concentram a maior parte da captação, o cenário de queda dos juros poderá reverter essa preferência, abrindo espaço para ativos de maior risco, como fundos de ações e multimercados, caso o ambiente fiscal e as reformas avançem conforme esperado.

Autor

Bruno Costa