Na manhã desta quarta-feira, o dólar apresentava recuo de cerca de 0,8%, cotado em R$ 5,1750, enquanto o Ibovespa registrava leve retrocesso de 1,27%, ficando em 186.163 pontos. O movimento cambial acompanhou a divulgação do Personal Consumption Expenditures (PCE), indicador favorito do Federal Reserve para aferir a trajetória da inflação americana.
Desempenho cambial e bolsa brasileira
O avanço de 0,69% do dólar na semana e a alta de 0,71% no mês contrastam com a queda de 4,96% acumulada no ano, sinalizando um momento de recuperação pontual. Já o Ibovespa mostrava ganhos modestos de 0,19% na semana e 3,61% no mês, mas apresentava desempenho anual positivo de 14,09%. Entre os papéis que lideraram a alta, destaca-se a Azzas (AZZA3), que subiu mais de 10% após rumores de aquisição da Farm Rio. Em contrapartida, as ações da CSN e da CSN Mineração recuaram em torno de 10% e 6%, respectivamente, após anúncio de redução temporária da produção e elevação dos custos de transporte.
Indicadores econômicos que dominaram o dia
Dados de inflação nos EUA (PCE)
O PCE de agosto registrou alta anual de 3,4%, abaixo da expectativa de 3,7% dos analistas. No mês, o índice subiu 0,3%, também menor que a projeção de 0,4%. Essa surpresa favoreceu expectativas de que o Fed possa pausar novos aumentos de juros em outubro, reduzindo a probabilidade de alta para cerca de 50%. Nos mercados de renda fixa norte-americana, os títulos de curto prazo recuaram modestamente (T-note 2 anos a 4,89% - 3 bps), enquanto os de longo prazo subiram levemente (T-note 10 anos a 5,25% + 2 bps).
Resultado primário e contas públicas no Brasil
No cenário doméstico, o Banco Central divulgou o resultado primário consolidado do Setor Público, que apontou déficit de R$ 13,6 bilhões em agosto, melhor que o esperado graças ao aporte de receitas do petróleo. O superávit primário do Governo Central chegou a R$ 11 bilhões, mas déficits regionais e das estatais ainda pressionam o balanço. Na bolsa de valores, a queda nos preços do petróleo (Brent em torno de US$ 97 barril) contribuiu para a leve desvalorização da moeda e apoiou o recuo dos juros futuros domésticos, com o DI jan/31 terminando em 13,94% (-11 bps).
Impacto das pesquisas eleitorais e expectativas políticas
Com as eleições presidenciais a poucos dias, as pesquisas de opinião ganharam destaque. O levantamento da Quaest mostrou Lula (PT) à frente com 39% das intenções de voto no primeiro turno, seguido por Flávio Bolsonaro (PL) com 34%. No segundo turno, os dois candidatos aparecem empatados em 42%, enquanto 13% dos entrevistados indicam voto em branco ou nulo. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. A avaliação do governo também se manteve dividida: 49% desaprovam Lula, 46% aprovam; Flávio registra rejeição de 56% contra 54% de aprovação para Lula.
O panorama internacional complementou o clima de incerteza: Wall Street fechou em alta, com o Dow Jones firme (+0,02%), o S&P 500 avançando 0,46% e o Nasdaq subindo 0,84%, impulsionados pelo alívio nas expectativas de juros nos EUA. Na Europa, os índices caíram (DAX -0,56%, CAC-40 -0,77%, FTSE 100 -0,07%). Na Ásia, a maioria dos mercados encerrou em alta, liderada pelo Nikkei (+1,94%) e pelo Hang Seng (+0,37%), apesar da cautela após os pacotes de estímulo da China.



