Em um movimento estratégico às vésperas das eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu-se com um grupo seleto de empresários e banqueiros no Palácio da Alvorada em Brasília. O encontro, que ocorreu na noite de segunda-feira, 31, teve como objetivo principal estreitar laços com setores que tradicionalmente não apoiam o PT.
Esta iniciativa surge após o senador Flávio Bolsonaro candidato do PL ter apresentado seu plano de governo a representantes do mercado financeiro em São Paulo. A estratégia de Lula visa não apenas reafirmar seu compromisso com a responsabilidade fiscal mas também demonstrar que seu governo está aberto ao diálogo com os principais players econômicos do país.
Principais convidados e objetivos do encontro
Entre os convidados estavam nomes de destaque no cenário empresarial e financeiro, como Rubens Ometto da Cosan os irmãos Joesley e Wesley Batista da J&FJosé Seripieri Filho da Amil e Luiz Carlos Trabuco presidente do conselho de administração do Bradesco. Também estiveram presentes André Esteves do BTG e Milton Maluhy do Itaú.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan tem sido o principal interlocutor do governo com o mercado financeiro. Recentemente, Durigan participou de várias reuniões com banqueiros e empresários, tentando desfazer ruídos provocados por declarações do ex-presidente da PetrobrasJosé Sérgio Gabrielli coordenador do programa de Lula para o quarto mandato. Gabrielli havia abordado a necessidade de mudanças para ampliar investimentos e gastos sociais, gerando incerteza no mercado.
O compromisso fiscal e as preocupações do mercado
Durigan tem insistido que o governo renovará o compromisso com o ajuste fiscal em um eventual novo mandato. No entanto, a incerteza tomou conta do mercado após as declarações de Gabrielli. Em resposta a essas preocupações, Lula afirmou durante uma sabatina na TV Globo que a responsabilidade fiscal ‘baliza’ sua vida, mas também declarou não se preocupar com a dívida pública.
‘Herdei este governo, em janeiro de 2023, com déficit fiscal de 2,8%. Sabe quanto vai ser o superávit primário deste ano?’, perguntou o presidente. Ele mesmo respondeu: ‘0,1%’. Em seguida, concluiu: ‘Se tem alguém neste País com responsabilidade fiscal, sou eu’.
Estratégias eleitorais e o cenário fiscal
A campanha de Lula tem buscado evitar compromissos de elevado impacto fiscal durante a disputa eleitoral. A avaliação é que uma campanha sem propostas que possam gerar insegurança no mercado ampliaria a margem de manobra para um eventual novo governo negociar sua agenda e implementar medidas consideradas necessárias.
Desde o início do terceiro mandato, em 2023, Lula foi aconselhado a construir uma interlocução mais próxima com empresários, tanto para facilitar a governabilidade quanto para reduzir resistências no setor. No entanto, na avaliação de interlocutores, o presidente acabou se distanciando ainda mais do segmento. Diante desse quadro, o atual chefe do Executivo tem sido orientado a se aproximar desse eleitorado.
A dívida bruta da gestão já subiu mais de oito pontos percentuais em relação ao PIB superando os 80% do PIB. Além disso, tanto o Executivo quanto especialistas projetam que o indicador continuará em alta nos próximos anos. Essa realidade tem levado Lula a buscar apoio no mercado financeiro, visando garantir estabilidade econômica e confiança nos investidores.



