Pular para o conteúdo
4 setembro 2026

Liquidação extrajudicial da Trustee e Banvox: o que você precisa saber

O Banco Central encerrou as atividades da Trustee e Banvox, corretoras ligadas ao escândalo do Banco Master. Saiba mais sobre as violações e as consequências.

Liquidação extrajudicial da Trustee e Banvox: o que você precisa saber

Em uma decisão impactante, o Banco Central decretou, no dia 3 de setembro de 2026, a liquidação extrajudicial da Trustee Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários e da Banvox Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários. Essa medida foi tomada devido a graves violações às normas legais que regulam as atividades dessas instituições financeiras.

A decisão foi assinada por Ailton de Aquino diretor de Fiscalização do BC, que está substituindo Gabriel Galípolo durante sua viagem à Basileia, na Suíça. As duas corretoras estão ligadas a Maurício Quadrado ex-sócio do Banco Master que foi liquidado em novembro de 2025.

As violações que levaram à liquidação

De acordo com o Banco Central, as instituições representavam, em julho de 2026, menos de 0,001% do ativo total ajustado do Sistema Financeiro Nacional e 0,76% do volume de administração de recursos de terceiros. Apesar de sua baixa representatividade, as violações às normas legais foram consideradas graves o suficiente para justificar a liquidação.

As corretoras foram alvo da Operação Carbono Oculto deflagrada em setembro de 2025, que investigou a ligação de várias instituições do mercado financeiro com o crime organizado. A operação revelou como o crime organizado se infiltrou na economia formal por meio de postos de combustíveis, fintechs e fundos de investimento, envolvendo bilhões de reais em fraudes e lavagem de dinheiro.

O envolvimento com o Banco Master

A Trustee e a Banvox estavam entre os alvos da Operação Carbono Oculto. As investigações mostraram que os criminosos utilizavam a infraestrutura de várias gestoras para lavar dinheiro obtido de forma ilícita. As duas gestoras eram ligadas a Maurício Quadrado que foi sócio do Banco Master entre 2020 e 2024.

Antes de se tornar sócio do Master, Quadrado teve contas na Suíça congeladas após denúncia de pagamento de propinas no âmbito das operações Sépsis e Cui Bono, deflagradas a partir de 2016 como consequência da Operação Lava Jato. Mesmo tendo ficado com ativos financeiros no exterior indisponíveis entre 2018 e 2022, ele recebeu autorização do BC para se tornar sócio de Daniel Vorcaro no Master.

O crescimento da Banvox

A Banvox foi fundada em 1984 e ganhou autorização da CVM para administrar carteiras de investimento em 1991. Em 2016, o foco da companhia passou a ser a administração e custódia de fundos próprios. Entre 2021 e 2024, a empresa registrou um crescimento expressivo, com o patrimônio líquido administrado crescendo quase seis vezes. Em dezembro de 2021, a Banvox administrava R$ 10 bilhões. Em julho de 2024, o montante era de R$ 67,3 bilhões.

O fundo imobiliário Lucerna

A Banvox também administrava o fundo imobiliário Los Angeles 1 rebatizado de Lucerna. Esse fundo estava na mira da Operação Carbono Oculto por suposta ligação com o crime organizado. A Banvox alegou que, por orientação da sua área de compliance, já havia renunciado à administração do fundo antes de ser deflagrada a operação da Polícia Federal e que não tinha qualquer relação pessoal com os cotistas do fundo investigado.

As consequências da liquidação

Com a decretação da liquidação extrajudicial, os bens dos controladores e dos ex-administradores das instituições ficam indisponíveis. O Banco Central reiterou que continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades e que o resultado dessas apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes.

A liquidação das corretoras Trustee e Banvox é mais um capítulo no escândalo do Banco Master, que continua a revelar as complexas conexões entre o mercado financeiro e o crime organizado.

Autor

Bruno Costa