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3 julho 2026

Invés e Alza unem forças para criar maior escritório fee-based da XP

Dois escritórios de investimento da XP, Invés e Alza, unem-se para criar a maior operação fee-based da corretora, com mais de R$ 4,5 bilhões em ativos sob gestão

Invés e Alza unem forças para criar maior escritório fee-based da XP

Invés e Alza uniram operações para criar a maior estrutura fee-based vinculada à XP no Brasil, movimento anunciado no mercado e em curso no ecossistema da corretora. A nova casa consolida pouco mais de R$ 4,5 bilhões em ativos sob gestão e nasce integrada à plataforma da XP, fundada por Guilherme Benchimol. Última atualização: 3 de julho de 2026.

A operação é relevante por reforçar o modelo fiduciário em um ambiente onde ainda predomina o regime de rebate. A união amplia escala e capacidade de atendimento, com promessa de maior transparência na cobrança e de alinhamento de interesses entre assessores e clientes. A XP já vinha defendendo a expansão do fee-based e a fusão consolida essa estratégia no segmento de assessoria.

Meta financeira e posicionamento dentro da XP

As duas casas, criadas há cerca de três anos, reúnem pouco mais de R$ 4,5 bilhões em patrimônio administrado e miram encerrar o ano com R$ 8 bilhões objetivo que, se alcançado, colocará o novo escritório entre os top 30 da rede da XP. O modelo fee-based representa cerca de 70% do patrimônio total da operação combinada, participação muito acima da média dos escritórios vinculados à corretora. Em estruturas de maior penetração, esse índice costuma chegar a 30%, enquanto a média geral gira em torno de 10%.

O reforço de escala visa padronizar processos, aprimorar governança comercial e dar sustentação a estratégias de alocação e relacionamento com clientes de alta renda. A empresa resultante mantém o vínculo com a XP e passa a operar como referência interna do modelo remunerado por taxa fixa, em linha com a defesa pública feita ao longo dos anos pelo fundador da corretora.

Modelo fiduciário versus rebate e declarações de executivos

No modelo fiduciário a remuneração é calculada por comissão anual sobre o patrimônio do cliente, estimulando o crescimento desse patrimônio ao alinhar interesse econômico e performance. Já no regime de rebate o escritório é remunerado pela distribuição de produtos, o que pode gerar conflitos. Para Leonardo Medeiros, fundador da Alza, “O que estamos fazendo é algo diferente. Queremos consolidar o modelo fiduciário, que é muito melhor para o cliente do que o modelo de empurrar produto.”

Medeiros acrescenta que as casas nasceram em contexto regulatório favorável: “As duas empresas nasceram do inconformismo com como os clientes eram atendidos, e tivemos a sorte de começar numa janela muito boa, com a regulação evoluindo e estimulando o modelo fiduciário.” Ele fundou a Alza após passagem pela Isaac, startup depois adquirida pela Arco em 2026. Henrique Silva de Moraes, fundador da Invés, veio do segmento de construção.

Estrutura operacional, clientes e marcas

A operação combinada soma cerca de 100 funcionários, atende aproximadamente 3,7 mil clientes e registra tíquete médio próximo de R$ 1,2 milhão. A expectativa é de que a maior escala traga ganhos de eficiência em cobertura de clientes e desenho de carteiras, com estratégias personalizadas e serviço de acompanhamento contínuo. A estrutura reforça a oferta de produtos e serviços no universo XP, com ênfase em atendimento próximo e governança comercial baseada em taxa de administração.

No curto prazo, as duas marcas serão mantidas, com planejamento de adoção de uma marca única no futuro. O desenho de integração contempla padronização de políticas comerciais, consolidação de plataformas internas e preservação do enfoque centrado no cliente. A fusão não altera o vínculo com a corretora e se insere na tendência de consolidação do mercado de investimentos no Brasil, com expansão do modelo fee-based como referência de transparência e alinhamento.

Autor

Bruno Costa