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26 junho 2026

Família Hering busca emancipar marca do portfólio da Azzas 2154

A Azzas 2154 afirma que a Hering não está à venda, mas a família Hering está explorando opções para recomprar a marca, em meio a disputas internas.

Família Hering busca emancipar marca do portfólio da Azzas 2154

A Azzas 2154, conglomerado que abriga marcas renomadas como Arezzo, Schutz, Farm e Hering, encontra-se no centro de uma intensa disputa societária. Recentemente, a empresa teve que desmentir rumores sobre a venda da marca Hering, enquanto a família Hering, detentora de cerca de 11% do capital da Azzas, busca uma possível emancipação da marca.

A movimentação da família Hering, liderada por um grupo de acionistas, inclui a contratação da BR Partners para avaliar a viabilidade de uma saída da Hering do portfólio da Azzas. A família está considerando tanto a compra direta da marca quanto a aquisição de uma participação maior no negócio, caso a Azzas decida avançar com uma eventual cisão.

A Hering e a fusão que mudou o jogo

A Hering, fundada em Blumenau, foi adquirida pelo Grupo Soma em 2026, em uma transação avaliada em R$ 5,1 bilhões. A marca também havia despertado o interesse da Arezzo&Co, liderada por Alexandre Birman, mas acabou integrando o portfólio do Grupo Soma. Com a fusão entre o Grupo Soma e a Arezzo&Co, concluída em meados de 2026, a Hering passou a fazer parte da Azzas 2154.

No entanto, o desempenho da Hering dentro do novo conglomerado tem sido um ponto de preocupação. No primeiro trimestre de 2026, a unidade Basic, ligada à Hering, registrou uma queda de 18,5% na receita, totalizando R$ 502,3 milhões. A Azzas atribuiu esse resultado ao processo de reestruturação da operação, que inclui a normalização dos estoques e a redução de vendas menos rentáveis.

Desempenho financeiro e disputas internas

O desempenho financeiro da Azzas 2154 no primeiro trimestre de 2026 reflete os desafios enfrentados pela empresa. A companhia reportou um lucro líquido recorrente de R$ 63,9 milhões, uma queda de 45,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita líquida somou R$ 2,48 bilhões, um recuo de 8%, enquanto o Ebitda recorrente caiu 23,2%, para R$ 328,5 milhões.

Além das dificuldades financeiras, a Azzas 2154 enfrenta tensões internas. Desde a fusão entre o Grupo Soma e a Arezzo&Co, o mercado tem acompanhado ruídos sobre diferenças de gestão, autonomia das marcas e dificuldades de integração entre os negócios. Em maio de 2026, a disputa entre Roberto Jatahy, do Grupo Soma, e Alexandre Birman, da Arezzo, ficou mais evidente quando Jatahy entrou na Justiça para manter a estrutura organizacional anterior a mudanças internas feitas em abril.

A liminar foi concedida em primeira instância e mantida pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Além da disputa judicial, Jatahy protocolou um pedido de arbitragem na Câmara de Arbitragem do Mercado, adicionando mais um capítulo à complexa narrativa da Azzas 2154.