A XP investimentos iniciou recentemente a cobertura do setor de saúde com uma perspectiva otimista para 2026. Segundo a corretora, o setor está negociando com um desconto atrativo de cerca de 40% em relação ao seu preço/lucro (P/L) histórico, com base nas estimativas para 2027. Essa avaliação positiva é respaldada por resultados sólidos, que refletem um ciclo favorável para as operadoras de planos de saúde.
A análise da XP destaca que o setor de saúde passa por três fases cíclicas: forte desempenho operacional, intensificação da concorrência de preços e compressão de margens, e um período de rentabilidade insustentável seguido por um retorno a comportamentos de preços mais racionais. Atualmente, o setor estaria em transição para a fase de intensificação da concorrência, ainda com resultados sólidos, mas com crescente pressão de preços.
Principais escolhas da XP Investimentos
A XP Investimentos identificou a Rede D’Or e a BradSaúde como suas principais escolhas no setor de saúde. Essas empresas combinam catalisadores operacionais de curto prazo, disciplina no provisionamento e estratégias robustas de crescimento a longo prazo.
Rede D’Or: liderança e resiliência
A Rede D’Or é destacada pela sua liderança no setor hospitalar e pela integração com a SulAmérica. A companhia deve apresentar uma expansão gradual das margens, sustentada pela maturação de ativos e pelo excesso de provisionamento de IBNR estimado em 13%. A XP projeta a adição de 286 leitos em 2026 e uma expansão da margem EBITDA para 18%. Além disso, a expectativa de crescimento de resultados é significativa, com uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 20% projetada de 2026 a 2028.
BradSaúde: transformação e diversificação
A BradSaúde é vista como uma história de transformação estrutural após o spin-off, com potencial de ganhos de eficiência e diversificação. A companhia apresenta forte capitalização e disciplina na subscrição, além de espaço para crescimento via parcerias com prestadores. A XP destaca ainda o excesso de provisões, estimado em cerca de 8 pontos percentuais, fator que pode sustentar margens em um ambiente mais competitivo.
Outras empresas em destaque
A XP também iniciou a cobertura de outras empresas do setor de saúde, como HyperaFleuryDasaMater DeiBlau Farmacêutica e Qualicorp. Cada uma dessas empresas apresenta características únicas e potenciais de valorização distintos.
Hypera: recuperação no segmento farmacêutico
A Hypera surge como uma tese de recuperação no segmento farmacêutico, com sinais de retomada de crescimento após um período de desafios. O pipeline de produtos mais robusto e melhorias no capital de giro sustentam a expectativa de reaceleração. Os papéis negociam a cerca de 6 vezes o lucro estimado para 2027, com desconto relevante frente ao histórico.
Fleury: posição sólida em diagnósticos
A Fleury mantém uma posição sólida em diagnósticos, com execução consistente e margens resilientes. No entanto, o potencial de valorização é visto como mais limitado devido ao valuation mais elevado e riscos associados à diversificação do portfólio.
Dasa: recuperação e desalavancagem
A Dasa aparece como uma tese de recuperação, impulsionada por melhora operacional e possível desalavancagem. A XP vê avanço na geração de caixa e expansão de margens, ainda que a joint venture hospitalar siga como risco.
Mater Dei: consolidação e disciplina de capital
A Mater Dei vem consolidando uma nova fase após o ciclo de expansão, com melhora na ocupação e disciplina de capital. O valuation descontado reforça a atratividade, segundo a XP.
Blau Farmacêutica: crescimento e foco em biológicos
A Blau Farmacêutica é apontada como uma tese de crescimento, com pipeline em expansão e maior foco em biológicos. A companhia negocia com desconto de cerca de 30% frente aos níveis históricos.
Qualicorp: recuperação incerta
A Qualicorp segue em um processo de recuperação mais incerto, com pressão competitiva no segmento PME. A XP mantém postura cautelosa diante da baixa visibilidade de crescimento sustentável.
Riscos e desafios do setor
A XP Investimentos também destaca os principais riscos do setor de saúde, incluindo o aumento do desemprego, a intensificação da concorrência de preços, levando a maior compressão de margens, e a regulação mais rigorosa dos planos de saúde corporativos. Apesar desses desafios, a corretora acredita que 2026 ainda deve ser um ano resiliente, com a combinação de valuations atrativos e fundamentos sólidos criando uma janela interessante para o setor.



