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14 junho 2026

Por que investir em IA não melhora a comunicação nas organizações

Empresas estão investindo em IA, mas a falta de comunicação eficaz e inteligência emocional continua sendo um desafio. Descubra como resolver esse problema.

Por que investir em IA não melhora a comunicação nas organizações

Nos últimos anos, as empresas têm investido pesadamente em transformação digital, automação e inteligência artificial. No entanto, um problema persistente e urgente permanece sem solução em muitas organizações: equipes que não conseguem se comunicar com honestidade, líderes que não reconhecem seus próprios gatilhos emocionais e culturas que confundem vulnerabilidade com incompetência.

Os resultados dessa desatenção são evidentes nos altos índices de rotatividade, absenteísmo e baixo engajamento. Esses números não melhoram, mesmo após investimentos significativos em tecnologia e benefícios. A inteligência artificial pode estruturar conversas difíceis, sugerir abordagens de feedback e mapear padrões de comunicação, mas não substitui a capacidade humana de estar presente, assumir responsabilidade por erros relacionais e sustentar o desconforto de conflitos não resolvidos.

O custo real da imaturidade emocional

Um estudo realizado pela The School of Life Brasil e a Robert Half, em 2026, revelou que 57% dos 387 liderados entrevistados trabalhavam com alguém emocionalmente desafiador. Além disso, 44% dos profissionais admitiram ter pedido demissão devido a maus relacionamentos com líderes ou membros da equipe.

Esses dados confirmam uma antiga máxima corporativa: os profissionais entram nas empresas atraídos pela marca, mas saem por causa dos gestores. A falta de habilidade para gerir emoções dificulta o relacionamento interpessoal e afeta diretamente o desempenho organizacional. Muitas disfunções surgem da falta de autoconhecimento e inteligência emocional, resultando em um alto custo oculto para o negócio.

Da performance à reparação

Na cultura japonesa, o Kintsugi é a arte de reparar cerâmicas quebradas com ouro, tornando as rachaduras visíveis e valorizando o objeto justamente por ter sido reparado. Dentro das organizações, as relações deveriam ser maduras o suficiente para se espelhar nesse conceito. Conflitos são inevitáveis, mas a capacidade de repará-los é essencial.

Isso exige maturidade emocional. Líderes devem adotar uma mentalidade que priorize a compreensão das relações, substituindo a reação automática de defesa pela pergunta: “O que está acontecendo nessa relação para que essa pessoa se sinta desconfortável?”. Essa abordagem pode ter um impacto cultural significativo.

O papel do RH na promoção da inteligência emocional

Para as áreas de gestão de pessoas, o desafio é desenvolver essa maturidade emocional nos líderes e criar condições estruturais para que ela floresça. No entanto, uma pesquisa recente da The School of Life Brasil, em parceria com a Robert Half, mostrou que o apoio a esses profissionais ainda é baixo. Mais da metade dos entrevistados (52%) responderam que nunca, raramente ou às vezes podem contar com suas lideranças diretas em momentos de sobrecarga ou desafio emocional.

A pergunta estratégica para as empresas talvez não seja apenas “Como formamos profissionais mais produtivos?”, mas “Como desenvolvemos líderes capazes de construir relações mais sábias?”. Nenhuma plataforma de tecnologia, por mais sofisticada que seja, pode reparar uma cultura organizacional quebrada por dentro. A IA pode otimizar processos, mas a inteligência emocional é insubstituível.